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23/05/2011 - Editorial

Enquete realizada pelo Jornal da Imprensa oline constatou o que todo mundo está cansado de saber: o cidadão comum do povo tem antipatia pelos políticos. Se há uma gente desacreditada, é o político. O descrédito e do desprestígio não residem apenas nas massas anômimas das ruas. Até mesmo entre os chamados formadores de opinião vai se consolidando uma forte aversão aos chamados homens públicos.

 

Isso é ruim. Verdade seja dita, grande parte dos nossos políticos é formada por homens e mulheres de péssimo caráter. A política tem sido o ambiente avidamente buscado por todo tipo de arrivista e por toda espécie de trambiqueiro. Mas também é verdade que entre os políticos existem muitas pessoas boas, honradas, honestas, dignas, qualificadas, vocacionadas para servir o povo e a pátria. Essas pessoas existem em todas as siglas partidárias.

 

Difícil é separar o joio do trigo. É inútil alegar que a desinformação da população, causada por uma suposta má vontade dos veículos de comunicação, são as geratrizes deste generalizado sentimento de desprezo pela chamada "classe política".

 

Não há democracia sem políticos. Não há solução pacífica e justa para os conflitos sociais ou os choques individuais de interesses sem a mediação dos políticos. Não há como aperfeiçoar as instituições sem o concurso dos representantes do povo. Excluir os políticos é abrir portas ao retorno da ditadura. E isso ninguém quer. Talvez não haja no povo uma forte convicção democrática, mas é inegável que as massas nutrem uma arraigada aversão às ditaduras. Não deixa de ser paradoxal.

 

O desprestígio dos políticos deriva da falência dos partidos brasileiros. Nossos partidos reduziram-se a meros expedientes cartorários para viabilizar juridicamente as candidaturas. Não são nem de longe o que deveriam ser: movimentos de opinião pública e instrumento de ação política coletiva. Grande parte dos partidos existentes não passam de legendas rendosos negócio particular dos que detêm a posse do livro de atas. As chamadas legendas de aluguel tumultuam a vida institucional, desnaturam a manifestação do eleitor, produzem distorções lamentáveis do processo político. Proibi-los por ato de força é um contra-senso, viola os princípios democráticos que devem ser defendidos. Todavia, é preciso extirpar essas ervas daninhas.

 

Uma fria e racional análise do quadro político nacional conduz à conclusão de que a causa primeira de todas as nossas mazelas políticas é o absurdo sistema eleitoral em vigor. Já passa de hora uma reforma eleitoral que aperfeiçoe o sistema representativo e fortaleça o papel dos autênticos partidos. Entretanto, esse sistema favorece aos atuais mandatários. É ingênuo supor que queiram drenar a água onde se saciam.

 

Uma radical mudança do sistema político-eleitoral será, assim, necessariamente, obra de uma opinião pública esclarecida e militante. Não de pode usar a aversão aos políticos como desculpa para a omissão e ausência. Um novo sistema político-eleitoral, mais racional e mais democrático, criará um ambiente onde não medrarão legendas de aluguel nem poderão sobreviver os arrivistas e os corruptos.

 

Depende, portanto, de nós!

 

 

Comentários

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2

euripedes, em 12/01/2012

è%20tão%20grande%20o%20meu%20descrédito%20que%20prefiro%20não%20mais%20comentar.

1

Antonio%20Carlos, em 15/06/2011

Nossos%20políticos%20tem%20receio%20de%20dar%20escola%20ao%20povão%20pois%20em%20pouco%20tempo%20não%20teriam%20corragem%20de%20mentir%20e%20roubar%20tanto.

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