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PMDB sem asas

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11/06/2011 - Eurico Barbosa

O PMDB, tanto o nacional quanto o goiano, não tem nomes para as disputas majoritárias,  mais precisamente a presidência e a governadoria.  No primeiro caso, já há várias eleições que o partido não teve alternativa senão a de se coligar. O máximo que pôde alcançar foi a vice-presidência, com Michel Temer.  Não porque este fosse ou seja forte eleitoralmente. Muito ao contrário, provavelmente não se reelegeria deputado federal. É um político popularmente dos mais inexpressivos.  Foi anonimamente carregado pela eleição de Lula.

 

Não conta o ex-Manda Brasa com um só governador potencialmente candidatável à presidência.  Está fora do poder nos principais Estados - São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul.  A única exceção é o Rio de Janeiro.  Mas Sérgio Cabral Filho não é nome cogitável para a sucessão de Dilma. Cacife inexpressivo. E nos Estados menores a agremiação que já teve (com as eleições de 1986, com a explosão eleitoral detonada pelo Plano Cruzado, a quase unanimidade dos governos estaduais) não projeta um só possível fenômeno político.

 

Em Goiás, a eleição de um peemedebista não esteve longe de acontecer nas últimas eleições.  Iris Rezende teve a seu favor vários fatores.  Suas duas administrações em Goiânia lhe proporcionaram fortíssima recuperação.  Ele que havia perdido na capital por grande diferença na disputa com Marconi Perillo em 1998, ganhou com mais de 50.000 votos de frente em 2010. Em resumo, no resultado geral perdeu por apenas 4 por cento. 

 

Os trunfos com que contou o candidato da coligação PMDB-PT-PC do B foram vários e importantes - apoio do governo federal e do estadual (no segundo turno), das maiores prefeituras - Goiânia, Anápolis, Aparecida, Catalão, Santa Helena, outras.   Mas incompreensivelmente  fez uma campanha fraca (exceto nos últimos quinze dias, exatamente quando superou o adversário em 120.000 votos), destituída de lances motivadores, sem a mínima preocupação em desconstruir a imagem do oponente, indiscutivelmente um nome que se prova de grande aprovação do eleitorado;  e somente movida a sua campanha com algum recurso financeiro exatamente naquela reta final.

 

Derrotado Iris Rezende - sempre tendo contra si muita rejeição do funcionalismo público, resultado sobretudo do congelamento salarial decretado no seu último governo (1991-1995) -  apresenta-se hoje o PMDB com uma írrita bancada estadual (8 representantes, menos de vinte por cento dos 41 componentes da Assembleia Legislativa) e com apenas 3  dos l7 deputados federais.  Parlamentares sem a menor possibilidade de um vôo mais alto.  São todos deputados sem asas.  Logo após a eleição falava-se num possível crescimento de Thiago Peixoto.  Mas este deu no que deu.  Era um equívoco.

 

O ingresso de Vanderlan Cardoso, o bom prefeito de Senador Canedo que obteve cerca de seiscentos mil votos como candidato a governador, fortalece o PMDB.  Dá-lhe animo novo.  Mas o próprio Vanderlan tem enfatizado a necessidade de o partido operar mudanças no seu estilo de atuação e  conquistar novos valores.  E certamente adotar novas formas de atuação, inclusive na política de composição com outras forças.  A aliança com o PT, por exemplo, ressentiu-se de total ausência de estratégia. 

 

Em Anápolis, onde o prefeito Antonio Gomide desfruta de amplo apoio popular, o candidato a governador foi menos votado que um postulante à Câmara Federal pelo PT.  Que aliança era esta?  Não havia uma forma de a militância petista atuar pelo candidato a governador?   Aliás,  quase não vi petistas a trabalhar pela eleição de governador.  Ali perto da Catedral está exposto até hoje um outdoor de um deputado estadual do PT em que aparecem várias fotografias, menos a do candidato a governador. Nunca vi coligação tão fajuta. 

 

Creio que as mudanças preconizadas por Vanderlan incluem a de estratégias, a de bandeiras de luta.  De inteligência no trabalho de proselitismo.
 

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