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02/07/2011 - *Mauro Malin
A mídia noticia quase diariamente denúncias e investigações de escândalos de corrupção e fraudes em prefeituras. A frequência com que certos temas aparecem permitiria estabelecer uma "tipologia". Educação, saúde, licitações de obras e de fornecimento de produtos e serviços, coleta de lixo seriam, aparentemente, alvos preferidos dos assaltantes da coisa pública.
O catálogo exaustivo de vigarices é por certo muito mais amplo. Assim como mais ampla é a lista de casos que não chegam a ser denunciados. Se as paredes das prefeituras e câmaras de vereadores falassem...
No início da década passada, tiveram destaque na mídia iniciativas como a da criação da Amarribo - Amigos Associados de Ribeirão Bonito (SP) ?, encabeçada pelos empresários conterrâneos Antoninho Marmo Trevisan e Josmar Verillo. Em 2003, o Instituto Ethos publicou uma cartilha chamada O combate à corrupção nas prefeituras do Brasil. Trevisan e Verillo eram dois dos autores. No trabalho, relatava-se a destituição do prefeito de Ribeirão Bonito, por corrupção, em 2002.
Josmar Verillo, agora à frente do conselho da Amarribo, foi entrevistado na EPTV em 17 de maio deste ano. O tema foi um estudo sobre corrupção no país.
População e mídia alertas
Em 2008, o Centro de Referência do Interesse Público, da UFMG, fez uma pesquisa de opinião pública nacional que constatava basicamente, para o que interessa aqui, quatro pontos:
1. A percepção de que a corrupção havia aumentado nos cinco anos anteriores (desde o início do primeiro governo Lula).
2. As câmaras de vereadores, a Câmara dos Deputados e as prefeituras ocupavam os primeiros lugares na lista de ambientes onde a corrupção se fazia presente.
3. A mídia estava atenta ao problema.
4. A mídia costumava ser mais justa/verdadeira/imparcial do que injusta/mentirosa/parcial ao cobrir os escândalos de corrupção.
Fenômeno endêmico
Neste primeiro semestre de 2011, só no estado de São Paulo houve denúncias, ou instauração de inquéritos, com ou sem prisões (sempre noticiadas com estardalhaço e revogadas no dia seguinte, ou poucos dias depois), em São Paulo, Campinas, Taubaté, Taboão da Serra, Itapira, Pindamonhangaba, Lorena, São Sebastião, Jandira (onde o prefeito foi assassinado), Orlândia.
Como se diz no jargão das apurações malfeitas, "pelo menos" nessas cidades. Leia-se: não pude pesquisar melhor para descobrir outros casos.
A Folha Online noticiou (16/6) que "Mapa interativo reúne e localiza casos de corrupção pelo Brasil". Vale a pena conhecer a iniciativa de Raquel Diniz, moradora de São Paulo, e eventualmente colaborar para o enriquecimento dos dados.
A movimentação dos cidadãos não está refletida na mídia, que se limita a receber informações da polícia ou do ministério público e dar o enunciado mais sensacionalista dos problemas. Análise, zero. Constatação de que existe alguma coisa muito errada no funcionamento das prefeituras (foram deixadas de lado, aqui, as numerosas e gritantes manifestação do fenômeno nas esferas estadual e federal, sempre lembrando que a "doença" afeta os três poderes), também não.
Não estaria na hora de se abrir o compasso, dar uma mergulhada metódica nos problemas, ouvir especialistas e prestar aos cidadãos o serviço de apontar os problemas mais frequentes e que tipo de mobilização pode funcionar para preveni-los ou atalhá-los?
Para o bem de todos e felicidade geral da nação.
*Mauro Malin, do Observatório da Imprensa
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