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16/07/2011 - Editorial
O governador Marconi Perillo absorveu bem as críticas do ex-presidente Lula. Quando se esperava que fosse revidar com fúria, respondeu, via Daniel Goulart, com reverente elegância. Ele sabe que sem o governo Federal ao seu lado, não terá como salvar a Celg. E se deixar que a Celg quebre de vez durante sua gestão, terá sua carreira política encerrada precocemente. Daí ter ele evitado cair na armadilha do ex-presidente, não aceitando a provocação.
A mesma habilidade não teve o presidente da Celg, o senhor José Eliton, que por acaso vem a ser vice-governador de Goiás. José Eliton, sem ser chamado na conversa, reagiu com raiva ao que afirmaram Lula e Alcides: a de que o caso Celg não foi resolvido porque Marconi repudiou o acordo que ambos tinham construído. E isso e fato incontroverso. Tanto Marconi como José Eliton o admitem. O presidente da Celg ainda foi mais longe. Em entrevista à imprensa, ele jactou-se de ter sido o autor da idéia, aconselhando o governador a agir como agiu. Com isso, deixou claro que falta unidade política ao governo. Alguém está desafinando no coro, e não é o governador.
Marconi não fez auto-crítica pública. Não bateu a mão no peito para confessar mea culpa. Mas, na medida em que procurou o governo federal para saber se o acordo ainda estava de pé - não está mais - reconheceu tacitamente que cometeu um erro ao repudiar o acordo. Ato insensato que fez ao se deixar influenciar por desconfiados conselheiros.
Errar é humano e sempre há tempo para se consertar o erro. Este jornal criticou inúmeras vezes o governador Marconi Perillo por sua conduta em relação ao caso Celg. Não retira uma vírgula do que já se escreveu. Mas, no interesse dos goianos, não se inibe em aprovar e incentivar a ação do governador no sentido de tentar aproximação com o governo federal e de buscar ali os recursos necessários à solução do caso.
Em nada ajuda o governador insistir em atacar seu antecessor e perseverar nos pífios argumentos que, na época, usou para justificar o injustificável. Também não ajuda em nada a insistência de seus adversários em jogar na cara do atual governo esta verdade doída.
A hora é de resolver o problema. Marconi, através do secretário Daniel Goulart, propôs paz, união, concórdia. Este Jornal da Imprensa endossa essas palavras. Entende que um gesto desprendido da oposição, neste momento, apoiando as gestões de Marconi junto ao governo federal, é de incomensurável valia para o Estado de Goiás. Se as forças vivas da goianidade se unirem - e não pode ser de outro modo senão em torno do governador -, será muito difícil para Dilma quedar indiferente ao drama da empresa goiana.
Mas quem propõe união e paz deve agir em conseqüência. Como acreditar na sinceridade do governador se seus comandados pitam a cara e fazem soar os tambores de guerra enquanto o chefe agita bandeira branca? Até mesmo a nota de Daniel Goulart, elogiável em vários sentidos, peca por certo rancor ao entoar a velha e entediante cantilena sobre o "governo passado".
Falta pouco para Marconi conseguir esta sonhada união. Falta um gesto. Um gesto de boa vontade. Um gesto que ateste a sua sinceridade. Um gesto de grandeza e de humildade. Um gesto que ele até hoje ainda não soube ou não quis fazer.
A boa vontade e o espírito desarmado que Goulart cobrou de Lula deve ser praticada também por Marconi. Espera-se que Marconi tenha a grandeza desse gesto. Espera-se que ele saiba sufocar mágoas e ressentimentos. E cabe a ele fazer isso, pois foi o vencedor da guerra eleitoral, e só o vitorioso pode, sem prejuízo da sua honra, sem diminuição de sua dignidade, ser generoso.
Quando Caxias venceu Bento Gonçalves no campo de batalha, não o prendeu, não o humilhou. Reconhecendo o valor do oponente que não se deixou vencer sem luta, estendeu-lhe a mão. Tomando dele a palavra de honra que não mais se levantaria contra o Imperador, devolveu-lhe as armas e o comissionou defensor das fronteiras gaúchas. E foi assim que o Rio Grande do Sul foi pacificado.
A história está cheias de exemplos assim. O que fez de Caxias esta admirável figura histórica a quem a Nação rende culto, foi este sentido de grandeza, generosidade, lealdade e humildade. São as virtudes por excelência de um nobre genuíno.
Os goianos esperam de Marconi que saiba se fazer nobre nesta hora crucial. Ele está, por enquanto, no caminho certo. Oxalá não se desvie!
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