Jornais








▼ Editorial

Bem aventurados os que marcham

  • Enviar por email
  • Enviar por email
  • Enviar por email

Email que receberá a matéria:

23/07/2011 - .

Goiânia assistiu, na semana passada, duas alegres manifestações públicas reivindicando direitos e protestando contra injustiças. Jocosamente denominadas de "Marcha das Vadias" e de "Marcha da Maconha", as duas passeatas mobilizou sobretudo a mocidade universitária e alguns intelectuais.

 

A "Marcha das Vadias" foi um protesto feminista contra a violência doméstica que também incorporou a militância gay contra a discriminação e a violência de que são vítimas os homossexuais. O Brasil é um país onde a mulher ainda é tratada como objeto e onde homossexuais que se aventuram fora de seus guetos estão sujeitos até a linchamento.

 

O protesto contra a violência a mulheres e a gays não se dirige apenas às autoridades. O país tem até avençado em termos institucionais, adotando moderna legislação tutelar dos direitos das pessoas diferentes. O protesto de dirige em grande parte à sociedade, onde a cultura da discriminação,  do preconceito e da animosidade, ainda envenenam as mentes inesclarecidas.

 

Já a "Marcha da Maconha", apelando à consciência dos homens comuns, visa primordialmente os legisladores. Os marchadores querem mudar a lei. Querem mudá-la para tornar lícito o ato de cultivar, vender e fumar maconha. Qualquer um pode defender o status quo, mantendo a interdição legal sobre a droga. Mas, como reconheceu recentemente o Supremo Tribunal Federal, a reivindicação pública de mudança a legislação é uma ação legítima, um correto exercício dos direitos da cidadania. Se alguém quer que tudo permaneça como está, que se mobilize e marche nas ruas em favor da conservação.

 

As marchas foram pacíficas, ordeiras, e respeitadoras. No caso da "Marcha das Vadias", não houve o que os mais conservadores temiam: profusão de gestos obscenos e exibicionismo pornográfico. Tudo ficou dentro do espírito zombeteiro do evento, do humor verdadeiramente non chalance dos manifestantes, em que a gaiatice e graça funcionam como armas de persuasão universalmente aceitos. No fundo, as marchas foram esfuziantes celebrações da alegria de viver.

 

Afinal, o que se quer é aquela sensação de plenitude e de satisfação que se resumem na palavra felicidade. Numa sociedade verdadeiramente democrática, a felicidade deve estar ao alcance de todos. A felicidade coletiva deve identificar-se com a felicidade individual. Por isso, é preciso desatar os nós da repressão.

 

Não da repressão política, que dessa o Brasil se livrou, mas da repressão psico-erótica que exige o sacrifício inútil dos instintos básicos e irredutíveis do ser humano em nome de uma vã, quimérica e perniciosa transcendência do animal que existe no fundo de cada um de nós. Uma repressão que, no passado, construiu a civilização, mas que, no presente, pode destruí-la se não for vencida.

 

Enfim, os marchadores marcharam e o mundo não acabou por causa disso. Haverá, por certo, outras marchas. Logo elas farão parte da paisagem. De tão banais, não mais chamarão atenção nem infundirão temor. Aí uma nova geração, apresentando nova pauta de reivindicações, e buscando uma nova consciência, farão das injustiças contra as quais lutamos hoje apenas uma pálida lembrança de um passado lamentável. Não é assim que caminha a humanidade?
 

Comentários

► comentar esta matéria



Lomadee, uma nova espŽcie na web. A maior plataforma de afiliados da AmŽrica Latina.
Lomadee, uma nova espŽcie na web. A maior plataforma de afiliados da AmŽrica Latina.
Boca no Trombone

Previsão do tempo

Dilma Rousseff na ONU

DISCURSO DE S.E. A SENHORA DILMA ROUSSEF na íntegra.

Índices econômicos

Publicidade

Av. Goias n° 636, Sala 501, Ed. Mercantil - Goiânia- Goiás  |  Fone: (62) 3945 6381

Mais opções de contato...