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Falta craque na Seleção

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23/07/2011 - Antônio Lessa Júnior

Denúncias contra o presidente da Confederação Brasileira de Futebol - CBF, Ricardo Teixeira, podem estar afetando a Seleção em campo. De uns tempos pra cá, diversos jogadores se inspiraram em seu presidente. Os jogadores não entram mais em campo com o coração, só por dinheiro. A vaidade esta acima de tudo. Roupas, carros de luxo, penteados exóticos é que estão na moda. Vestir a camisa da seleção e fazer gols é apenas um detalhe. O capitalismo é o principal responsável por isso. Os jogadores de clubes esperam ser convocados não para representar o país, essa nação fanática por futebol, mas pelo prestígio que eles terão por apenas vestir a camisa canarinho.

 

Estive revendo partidas memoráveis da nossa seleção. A equipe tricampeã de 70 nem precisa ser comentada.  É incomparável. Dei uma olhada nos melhores momentos da seleção de 1982, de Telê Santana. Perder aquela Copa foi uma ironia do destino. A magia do futebol arte encantou o mundo inteiro. Até mesmo os rivais se curvaram diante de tanta maestria dos nossos jogadores. Eder, Falcão, Junior, Zico, Sócrates... Ah, como eles brincavam com a bola! Faziam o que queriam com ela. Não se dava mais do que dois toques e o passe era certeiro. Perdemos a Copa, mas de cabeça erguida. Coisas do destino.

 

Em 86 a seleção teve alguns remanescentes da de 82 e o técnico era o mesmo, mas o futebol não.  Naquela época, o mercado da bola com cifras milionárias começou a mexer com os jogadores. De lá até 1993 a nossa seleção foi só fiasco. Nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 1994 o Brasil passou sufoco. Romário era o maior o craque da época. Por ordem de Ricardo Teixeira, Parreira não o convocou. Mas a voz do povo é a voz de Deus. O clamor nacional fez com que Parreira convocasse Romário e Bebeto para a última partida, contra o Uruguai. O baixinho comeu a bola. Foram dois de Romário.

 

Na Copa, em 94, não foi diferente. Nos EUA o Brasil não jogou bonito, mas foi eficiente. Romário foi craque, deu o recado, nos deu a Copa. O jogo terminou em 0 a 0. A vitória do Brasil, nos pênaltis, veio após uma defesa de Taffarel e um chute para fora do italiano. O grande destaque da copa foi ele, o polêmico Romário.
 
 

Em 98 o Brasil não foi lá essas coisas. Jogou o suficiente para chegar à final, contra a França.  Segundo o relato do médico da seleção, Lídio Toledo, Ronaldo teve convulsão. Não iria jogar. Não se sabe o por quê, mas ele entrou. Melhor não tivesse entrado. Foi irreconhecível. A quem diga que essa "convulsão" foi uma farsa. Dizem que o jogador, ao saber que o jogo deveria ser entregue, não aceitou fazer parte.

 

Em 2002, Ronaldo Fenômeno foi o cara. Depois de duas graves contusões, duas cirurgias, fisioterapias  etc. o camisa 9 deu show nos gramados da Corea e do Japão. Sob o comando de  Felipão, o Brasil disputou a final contra a Alemanha. Com dois gols de Ronaldo o Brasil tornou-se pentacampeão.

 

Em 2006 e 2010 o Brasil foi um fiasco. Nesta nova fase o presidente da CBF chegou a contactar Muricy Ramalho. Aceitava dirigir a seleção desde que continuasse à frente do Fluminense. Ricardo Teixeira queria exclusividade. Foi atrás de Mano Menezes. Mano tinha subido o Corinthians da série B para a série A do Brasileirão.

 

Não culpo Menezes pelo fracasso da Seleção na Copa América. A verdade é que o Brasil não tem mais craques como antigamente. Neymar, Ganso, Pato e outros ainda são uma incógnita. Olham para a bola pensando na conta bancária. Preocupam-se mais com o visual do que com o futebol. Podem dar frutos no futuro, mas isso fica mais pra frente.
   
 

Nas seleções de 58, 62, 70, 94 e 2002, tínhamos craques: Pelé, Garrincha, Romário, Ronaldo e outros que vão deixar saudades. Foram cinco títulos mundiais conquistados. É importante relembrar a seleção de 82, que foi a campeã no coração dos brasileiros, dos amantes do futebol arte. Zico, Falcão, Sócrates, Cerezo, Júnior e Cia também estão no hall dos grandes craques que vestiram a amarelinha.

 

No jogo contra o Paraguai, pela Copa América, a impressão é que o Brasil jogou bem. Falsa impressão. Jogadores sem objetividade, sem raça, sem orgulho e sem raciocínio. Sem responsabilidade até para bater pênalti. Ninguém mais respeita o Brasil.

 

O mercado da bola está prejudicando o Brasil. Atletas criados nas escolinhas dos clubes são jogadores inventados pela mídia. O que realmente falta é descobrir novos valores, dar oportunidades aos Joãos e Zés dos campos de várzea. Não dá pra acreditar que, em um país de 200 milhões de pessoas, não haja mais Romários, Pelés, Ronaldos e Garrinchas por aí.

 

Todos têm culpa pelo fracasso. CBF, mídia e patrocinadores pensam mais em dinheiro do que em futebol. A falta de personalidade dos técnicos e jogadores também é responsável pelo fracasso. Mudaram a nossa maneira de jogar. Foi-se embora o nosso futebol alegre. Imitar esquemas do futebol europeu é erro. Ficamos iguais aos menos habilidosos.

 

Precisamos urgentemente de craques, encontrar um "cara" que chame a responsabilidade para si, ou vamos cair ainda mais. É preciso investiguar as entranhas da CBF. Ricardo Teixeira está há mais de 20 anos lá. Faz o que quer. O futebol brasileiro precisa ser passado a limpo, dentro e fora das quatro linhas.
 

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