Email que receberá a matéria:
13/08/2011 - .
Este Jornal está devendo ao deputado Jardel Sebba um pedido de desculpa. Aproveitamos para fazê-lo aqui, agora, publicamente.
No ano passado, publicamos um editorial intitulado "sacanagem". Nele, atacamos de uma forma rude e descortês o deputado Jardel. Não só ele, mas outros que também incorreram na nossa ira.
Jardel sentiu-se ofendido. E com razão. Afinal, ser chamado de "insano" "impostor" e outros mal pensados adjetivos é coisa de que ninguém gosta.
O deputado Jardel foi relator de um pedido governamental de autorização para empréstimo. A operação financeira destinava-se a solver dívidas da Celg. Havia prazos a cumprir. Jardel propôs, e a maioria da Assembléia aceitou, que a votação da matéria fosse precedida de audiências públicas. Estas audiências, se realizadas de acordo com o programado, iria atrasar os planos do governador Alcides Rodrigues.
Este Jornal sempre defendeu, e ainda defende, a salvação da empresa goiana de energia. Defendemos que ela permaneça sob controle do Estado de Goiás. Somos contra a privatização. Entendíamos, naquela ocasião, que a audiências propostas por Jardel eram procrastinatórias e obedeciam a algum malévolo propósito. Este, o nosso erro!
O próprio Jardel, cedendo às instâncias das entidades da sociedade organizada, abriu mão de suas prerrogativas de relator, votou favorável à matéria e restabeleceu a tramitação. Foi ato precipitado nosso acusá-lo de estar fazendo "sacanagem".
Faltou-nos, talvez, certa serenidade para entender que Jardel acreditava sinceramente que, ao promover audiências públicas, cumpria o seu dever de cidadão e de representante do povo. Faltou-nos a percepção de que não o movia interesses escusos, mas uma legítima convicção. Faltou-nos um pouco de generosidade para conceder a ele o benefício da dúvida.
Estávamos de acordo com a realização dessas audiências? Não, não estávamos. E sustentamos a opinião de que eram desnecessárias e que Jardel laborava em erro ao insistir nelas. O certo seríamos fazer um esforço de argumentação no sentido de convencer o deputado a prestigiar o nosso ponto de vista, não atacá-lo por pensar diferente de nós.
Pensávamos diferente de Jardel? Sim, pensávamos. E, quanto àquela questão, ainda pensamos. Isso nos dava direito de insultar o deputado? Não. Poderíamos e deveríamos manifestar a nossa discordância, pois num país democrático é livre a crítica e a manifestação do pensamento. Os homens públicos devem ter sua ação avaliada e criticada. Este é um dever do qual a imprensa não pode se furtar. Mas jamais dirigir desaforos ao criticado.
Criticar não é o mesmo que agredir a honra, injuriar, ferir a dignidade pessoal e o decoro da pessoa. Antes de mais nada, ao criticado deve ser assegurado o maior respeito, a mais ampla consideração. Não de pode jamais transformar divergências políticas, diferenças de opinião, em uma questão pessoal.
Temos procurado seguir este princípio. O jornal da Imprensa acalenta o ideal da independência. Independência para criticar e denunciar, para elogiar, promover e exaltar. Independência para criticar as autoridades e para elogiar as autoridades, sempre conforme o caso for. Não estamos engajados em projetos políticos de ninguém. Não servimos aos partidos de oposição e muito menos servimos aos que estão no poder e governam. Servimos ao país, ao nosso Estado, ao nosso povo. Servimos a causa da imprensa livre e do regime democrático.
Poderíamos até alegar que, no calor da luta política, com os ânimos exaltados, tendemos a perder um pouco o controle das emoções. A linguagem torna-se desabrida, ficamos mais desatentos a certos escrúpulos morais, relaxamos um pouco a observância de nossos princípios. Mas esta alegação não atenua a dor do ofendido. Não atenua a culpa de quem ofende.
Por mais intensa que seja a luta, por maior que seja o ardor com que assumimos a defesa de uma causa, não podemos nunca perder a perspectiva do outro. Devemos tentar entender a razão dos outros antes de impor a nossa. Afinal, o deputado Jardel apenas jogou o jogo político. Um jogo válido, legítimo. Não se podia condená-lo por isso.
Não converter divergências políticas em questão pessoal e não fazer da crítica um julgamento moral: este é um princípio que sempre adotamos. E por fidelidade a este princípio é que, reconhecendo o nosso erro, pedimos ao deputado Jardel Sebba que aceite nossas desculpas. É por fidelidade a este princípio que nos penitenciamos publicamente. É pelo respeito que devemos ao parlamentar Jardel Sebba e àqueles que votaram nele, respeito de resto extensivo a todos os representantes legítimos do povo, é que fazemos aqui a nossa autocrítica e, mais uma vez, pedimos a todos que aceitem o nosso sincero pedido de desculpas.
Temos a convicção de, ao assim proceder, não nos rebaixamos. Pelo contrário. Às vezes, é mais necessária coragem maior para encarar nossos próprios erros do que para atacar nossos adversários. Jardel Sebba, contudo, não é nosso adversário. É apenas um homem decente e um político honrado com o qual, em passado recente, entramos em discordância, e de quem talvez, no futuro, venhamos a discordar. Só que, da próxima vez, não haverá ofensas.
Dito isso, viremos a página!
Janis%20Traquis, em 11/09/2011
O%20sarcasmo%20exposto%20neste%20texto...combina%20com%20o%20governo%20%22cosm%C3%A9tico%22%20e%20a%20comunica%C3%A7%C3%A3o%20de%20marketing%20de%20campanha%202012/2014.
Paulo%20Rocha, em 01/09/2011
N%E3o%20quero%20crer%20que%20este%20jornal,%20que%20a%20meu%20ver%20foi%20%FAnico%20que%20se%20op%F4s%20ao%20atual%20governador,%20por%20ocasi%E3o%20da%20%FAltima%20campanha%20eleitoral,%20j%E1%20esteja%20aderindo%20ao%20novo%20governo.%20Se%20estiver,%20
Av. Goias n° 636, Sala 501, Ed. Mercantil - Goiânia- Goiás | Fone: (62) 3945 6381