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Em busca do "sonho brasileiro"

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13/08/2011 - *Hugo Souza

São principalmente portugueses, espanhóis, norte-americanos e trabalhadores dos países da América do Sul mudando de direção na hora de emigrar


 

Falta de crédito para financiar grandes projetos; fábricas fechando dia sim, outro também; trabalhadores da noite para o dia engrossando as fileiras de desempregados; uma septuagenária nota AAA caindo do pedestal; e bolsas de valores perdendo em um único pregão os ganhos acumulados de sete meses por medo de uma nova recessão. É a crise que se manifesta mundo afora nas formas de crise imobiliária, crise de crédito, crise da dívida pública e outras ramificações da grande crise econômica que, afinal, não ficou para trás com os pacotes de socorro bilionários a bancos, seguradoras e fabricantes de carros, nem tampouco ficará com o acordo tapa-buraco - ou melhor, aumenta-teto - que, por ora, evitou o calote dos calotes.

 

No Brasil, a grande crise econômica ora faz marolas, ora chega como ressaca, como o tombo de 8,08% da Bovespa no pregão desta segunda-feira, 8. Mas um outro efeito da crise começa a se fazer sentir por aqui: o aumento do número de estrangeiros oriundos de nações economicamente encrencadas vindo procurar emprego no país do pré-sal, da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016. Seria a hora e a vez do "sonho brasileiro"?
Qualificação é a regra

 

Números do Ministério do Trabalho mostram que só no primeiro semestre deste ano 26,5 mil profissionais de outros países conseguiram autorização para trabalhar no Brasil, o que representa um aumento de 19,4% na comparação com o mesmo período de 2010. São principalmente portugueses, espanhóis, norte-americanos e trabalhadores dos países da América do Sul - estes últimos mudando de direção na hora em que decidem sair de seus países de origem rumo a uma nação onde vislumbram melhores oportunidades.

 

Uma reportagem publicada no portal G1 mostrou que a crise portuguesa e seus reflexos no mercado imobiliário do além mar, por um lado, e o boom da construção civil no Brasil, por outro, formaram uma equação cujo resultado é o aumento da procura de trabalho na ex-colônia tropical por parte de trabalhadores portugueses - não operários, mas sim engenheiros.

 

Ainda que faltem estatísticas detalhadas, tudo indica que esta também é a tendência em outros ramos profissionais. Segundo informações do Ministério das Relações Exteriores, nos últimos seis meses aumentou o número de portugueses vindo para o Brasil e de brasileiros voltando de Portugal, tradicional destino de quem sai daqui em busca de melhor sorte no exterior. O Itamaraty diz que a característica dos profissionais estrangeiros é a alta qualificação.

 

Atraindo cérebros

 

Além da construção civil, os estrangeiros que estão chegando para trabalhar no Brasil ocupam vagas em áreas como infraestrutura e tecnologia, portos, petróleo e gás e tecnologia da informação, de acordo com o Ministério do Trabalho.

 

Os estrangeiros ajudam até a manter alguns ramos da economia aquecidos. É o caso do mercado imobiliário. Uma reportagem recente do portal Exame mostrou que eles pagam aluguéis de apartamentos no valor mensal de R$ 3 mil a R$ 4 mil e chegam dispostos a desembolsar até R$ 1 milhão para comprar uma casa própria.

 

O governo brasileiro parece ter percebido a peculiaridade do momento e já anunciou até reserva de vagas no setor público para profissionais de outros países. Parte das vagas de um concurso público para cientistas que será realizado ainda este ano será destinada a estrangeiros. O ministro da Ciência e Tecnologia, Aloisio Mercadante, justificou a ideia: "tivemos uma diáspora de cérebros no passado e agora queremos atrair". (* Hugo Souza/site Opinião e Notícia)

 

 

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