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17/01/2012 - *Solange Noronha
A voz do povo costuma destoar da voz da crítica. Enquanto esta prefere o mais elaborado, aquele quer o mais simples.
Se por aqui atrações como “BBB” e outros programas estilo “reality” e/ou apelativos e sensacionalistas são campeões de audiência, lá fora não é muito diferente. O filme de altas bilheterias também é, muitas vezes, o que faz os críticos torcerem o nariz — e o que agrada a eles nem sempre atrai grandes plateias. A música do momento será sempre do tipo “chiclete de ouvido” — com refrão variando entre “ai, se eu te pego” em diversas línguas, “baby, baby, baby” na vozinha infantil de Justin Bieber e similares. Enfim, ser, ao mesmo tempo, sucesso de público e crítica não é para qualquer um.
Bom exemplo são os People’s Choice Awards — entregues este ano em cerimônia exibida no Brasil pela Warner, na madrugada de quinta-feira. De forma geral, a premiação do público norte-americano tem cara adolescente, uma vez que só jovens devem ter tempo e paciência para enviar zilhões de votos para seus ídolos via internet.
Por conta disso, há até categorias especiais, como “estrela de cinema favorita com menos de 25 anos” — caso em que a vencedora foi a Hit-Girl de Kick-Ass — Quebrando tudo, Chloë Grace Moretz, de 14 aninhos, única concorrente não integrante do elenco de Harry Potter.
Mistérios e surpresas
Até aí, tudo ótimo. Mas alguém saberia explicar como Adam Sandler leva, com frequência, o título de ator cômico favorito? Adam conseguiu comprovar sua chatice ali mesmo, no palco, lendo um enorme discurso de agradecimento do qual ele próprio ria muito — e praticamente sozinho, um constrangimento só. Nos Estados Unidos, porém, o povo gosta dele, fazer o quê? Já a atriz preferida, Emma Stone, embora precise urgentemente de um fonoaudiólogo, é simpática e bonitinha — o que pode ser comprovado nas incontáveis reprises de A mentira, na televisão paga.
Falando nela, a premiação de comédia favorita não se divide apenas entre cinema e televisão, mas entre cinema, TV aberta e TV a cabo. Nos três casos, nada bate com os Oscars e Emmys da vida: os escolhidos foram, respectivamente, o filme Missão Madrinha de Casamento e as séries How I met your mother e Hot in Cleveland, que tem no elenco a veteraníssima Betty White — às vésperas de completar 90 anos, a comediante é um fenômeno no setor e agrada a gente de toda idade.
Ainda nos seriados, Castle, incluído em drama apesar de ser bem light, deu a seu protagonista o troféu do público. Nada contra o simpaticão Nathan Fillion. A surpresa foi ver Hugh Laurie na lista dos favoritos — o que deve ser prova de que nem tudo está perdido. Outra boa surpresa foi a votação no quesito novas séries: venceram a cômica 2 Broke Girls e a dramática Person of interest, cujos roteiros não subestimam a inteligência do espectador.
Twitter, a estrela
Estas, no entanto, foram as exceções à regra na festa que teve no Twitter sua estrela maior. Por meio dele — e também do menos comentado Facebook — Neil Patrick Harris desbancou Jim Parsons, o nerd mor de The Big Bang Theory; Lea Michele e Nina Dobrev elegeram-se “as” atrizes da televisão (uma em comédia, outra em drama); Demi Lovato — mais uma cantora que enfrenta a reabilitação e grita para mostrar o alcance da voz, bem ao gosto dos estadunidenses — foi sagrada a melhor artista pop; e não houve nada melhor nas telas, em 2011, do que Água para elefantes.
No mais, é aguardar para ver pelas ruas das nossas cidades o que parece ser o último grito da moda: vestidos curtos na frente e compridos atrás, formando — com grande atraso em relação ao estouro de bilheteria Avatar — uma estranha cauda nos corpos femininos. Aguardem. (*Solange Noronha/Opinião e Notícia)
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