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Crise grega faz albaneses voltarem para casa

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17/01/2012 - Fonte: The Economist

A bela Tessalônica é lar de uma das maiores comunidades da diáspora albanesa

Crise financeira e escassez de empregos na Grécia fazem com que imigrantes albaneses retornem a seu país de origem


 

É hora do almoço, e as crianças saem da escola dominical em Tessalônica. Os pais que as esperam parecem agitados enquanto falam com a professora Valbona Hystuna. Os adultos falam albanês; as crianças falam grego entre elas. Muitos dos jovens não sabem nada sobre a Albânia, mas a crise na Grécia está forçando suas famílias a voltar para casa.
 

O último censo da Albânia registrou apenas 2,8 milhões de habitantes no país, muitas centenas de milhares abaixo do esperado, e 7,7% a menos do que há dez anos. Cerca de 1,4 milhões de pessoas deixaram o país nos últimos 20 anos, e mais da metade deles partiu para a Grécia. Mas albaneses sem emprego começaram a retornar. Muitos deles trabalhavam na construção civil, que passa por um momento de estagnação na Grécia.
 

O ministro das Relações Exteriores da Albânia, Edmond Haxhinsato diz que apenas alguns imigrantes retornaram. Ainda assim, Hystuna diz “muitos já voltaram, vários planejam voltar, e todos estão falando sobre o assunto”. No passado, muitos albaneses viveram e trabalharam na Grécia, de maneira ilegal, mas muitos deles hoje têm vistos de residência. Ainda assim, aqueles que perdem seus empregos também podem perder os vistos, o que os forçam a voltar para a Albânia ou permanecer ilegalmente na Grécia.
 

A maioria dos albaneses se integrou bem à sociedade grega. Seus filhos costumam ser mais fluentes em grego do que em albanês, e muitos precisam de aulas antes de retornar. Mas os gregos também dificultam a vida dos albaneses. Pais ansiosos dizem que as autoridades decidiram, de uma hora para a outra, recusar os documentos de filhos de albaneses nascidos na Grécia, já que os documentos usam o nome albanês, Selaniku, e não o grego, para a cidade de Tessalônica.
 

Assim como os números da imigração, os envios de dinheiro realizados pelos albaneses são difíceis de serem medidos, mas parecem estar em franco declínio. Em 2007 os envios registrados somaram € 950 milhões. Em 2010, esse número havia caído para € 690 milhões, e nos três primeiros trimestres de 2011, foram registrados € 475 milhões. Em 2009, os envios eram responsáveis por 9% do PIB albanês. No entanto, a economia do país, ao contrário da grega, não entrou em recessão, e deve ter um crescimento de 2,5% em 2011.
 

Muitos albaneses na Grécia estão transferindo suas economias para os bancos de seu país de origem, temendo o que pode acontecer se a Grécia abandonar o euro. Algumas empresas gregas estão montando escritórios na Albânia, e colocando albaneses com quem trabalharam na Grécia, no comando. Até agora, os efeitos de ser uma pequena economia altamente dependente de países afundados na recessão como a Grécia e Itália foram negativos, mas não desastrosos. Ainda assim, cada vez mais, os albaneses que retornam encontram uma escassez de empregos e salários decentes em sua terra natal.
 

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