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17/01/2012 - Fonte: The Economist
British Museum apresenta primeira exposição ocidental sobre o hajj, a grande peregrinação dos muçulmanos até Meca
O British Museum, em Londres colocou em prática um plano ambicioso: realizar a primeira grande exposição no Ocidente sobre o hajj, a peregrinação anual dos muçulmanos até Meca. Os vistantes são levados até a cidade conhecida pelos muçulmanos como Makka al-Mukarrama (Meca, a Abençoada), da mesma forma que os peregrinos, que há centenas de anos vistam a cidade. Um enorme cubo negro cercado de bordados islâmicos representa a ka’ba, a pedra negra que os peregrinos devem circular sete vezes como parte do ritual do hajj.
Durante a história, os peregrinos viajaram a Meca usando várias rotas. Mansa Musa, o rei do Mali, ficou famoso na Europa medieval e o mundo islâmico quando viajou pelo Saara de Timbuktu até o Cairo, e de lá até Meca em 1324, acompanhado de 60 mil seguidores e mais de 100 quilos de ouro, que ele distribui ao longo do percurso. Milhões de outros peregrinos viajaram pelas estradas desde Istambul, ou vieram pelo mar de Cingapura e Mumbai, passando cuidadosamente pelo Mar Vermelho.
Antes do islã, Meca foi um importante ponto para peregrinos da Arábia central e do norte. Eles tinham muitos deuses, mas uma vez por ano, durante o mês sagrado, eles viajavam, seguindo as estrelas, para a cidade, para poder cultuar Alá exclusivamente. Meca também era um importante centro comercial. A revelação, em 610, do islã para o profeta Maomé, com Alá como o deus único, transformou Meca na mais sagrada cidade do mundo islâmico.
A exposição se concentra na mais antiga rota de peregrinos, a estrada de quase 1.500 quilômetros de Kufa, onde peregrinos do Iraque, Irã, e da Ásia Central se reuniam antes de partir para o sul, rumo a Meca. No século VIII, Zubaida, a esposa do califa Harun al-Rashid, ordenou a construção de poços ao longo da estrada, além de fortalezas e abrigos para as longas jornadas pelo deserto. Ela realizou o hajj cinco vezes, e deu seu nome não apenas à rota, mas também ao sistema de irrigação conhecido como a fonte de Zubaida, na planície de Arafat, nos arredores da cidade.
Os muçulmanos devem realizar a peregrinação pelo menos uma vez na vida. Tamanho é o número de visitantes que agora os peregrinos são divididos por um sistema de cotas nacionais.
Uma vez lá, eles começam o ritual: passam a vestir roupas brancas simples; realizam o tawaf – as voltas ao redor da ka’ba; bebem água do poço sagrado de Zamzam; correm e coletam pedras; cortam ou raspam os cabelos; e renovam seu compromisso com o islã. Para muitos, trata-se de uma experiência transcendental. “Tive vários momentos especiais na vida. Mas os momentos que vivi no topo do Monte Arafat no dia do hajj foram únicos”, declarou o boxeador Muhammad Ali, que realizou a peregrinação em 1989.
Por mais rica que seja a exposição, muita coisa acabou ficando de fora. Exceto por uma maquete da área que cerca a ka’ba, há pouca informação sobre o crescimento do monumento ou sobre a logística insana que garante a visita de três mil peregrinos, e nada sobre os terríveis acidentes causado pelo hajj. Também seria interessante ver mais informações sobre on sistema de cotas, que levou dezenas de milhares de muçulmanos da Indonésia e da Nigéria à cidade, que antes recebia uma maioria de fieis dos países vizinhos da Arábia Saudita. Os efeitos econômicos do hajj também são pouco explorados. Uma pequena seção no fim da exposição traz exemplos de arte contemporânea inspirada pelo ritual, e cada uma dessas áreas poderia ser o foco de novas exposições agora que o primeiro passo foi dado.
A exposição Hajj: Journey to the Heart of Islam estará no British Museum entre 26 de janeiro e 15 de abril.
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