Email que receberá a matéria:
01/02/2012 - Opinião e Notícia
Para que o crescimento da China continue, o país precisa se distanciar de um modelo que já deu muito certo
De maneiras que nunca se tornaram realidade para o Japão pós-guerra e podem nunca se tornar realidade para a Índia, a China vai fascinar e agitar o resto do mundo por um longo tempo ainda.
Há apenas 20 anos, a China tinha um longo caminho a percorrer para se tornar uma superpotência. Então, no início de 1992, como um imperador em uma empreitada, o falecido Deng Xiaoping saiu em um “tour” pelas cidades mais reformistas do sul do país. Um surpreendente endosso à reforma, o giro imperial foi um toque de mestre do homem que construiu a China moderna. A economia quase não tem olhado para trás desde então.
Em comparação com os tempos turbulentos que os países ricos têm atravessado nos últimos anos, o progresso da China tem sido implacável. E, no entanto, não tão abaixo da superfície há uma sociedade reprimida e agitada. Inquietações recentes em vilarejos em Wukan, em Cantão, uma província visitada por Deng naquela investida anos atrás; conflitos étnicos nas áreas tibetanas de Sichuan; o medo cada vez maior de um colapso no mercado imobiliário: todos são manifestações das forças centrífugas que estão tornando o trabalho do Partido Comunista tão difícil.
Os instintos do Partido, criados ao longo de anos de sucesso, estão prestes a apertar suas garras. Dissidentes estão sendo perseguidos. Esse reflexo, no entanto, vai tornar o trabalho do Partido ainda mais difícil. Eles precisam ao invés disso exercitar a arte de deixar passar.
A terceira revolução da China
O crescimento da China ao longo das duas últimas décadas foi mais impressionante do que qualquer outro estouro súbito de desenvolvimento econômico até agora. O crescimento econômico anual é de, em média, 10%, e 440 milhões de chineses saíram da pobreza – a maior redução da história do país.
Mas para continuar a crescer, a China não pode manter o mesmo modelo. Isso porque o país e o mundo estão mudando.
A China tem se saído bem em meio à crise global. Mas para manter um alto índice de crescimento, a economia precisa se afastar dos investimentos e exportações e se focar mais no consumo interno. Essa transição depende de uma divisão mais igualitária do produto do crescimento.
Mesmo a pequena desaceleração atual tem deixado a população inquieta. Muitos sentem que a fração do espetacular crescimento do país que chega até eles é pequena demais. Trabalhadores migrantes que vão às cidades procurar emprego são tratados como cidadãos de segunda classe, com pouco acesso a serviços de saúde e educação. A corrupção cada vez maior enfurece muitos. E essas pessoas enfurecidas conseguem se comunicar melhor do que nunca através da internet. Essas movimentações na sociedade civil chinesa contêm a semente para o caos. Funcionários do governo estão particularmente conscientes desses perigos em um ano em que uma nova geração de líderes vai assumir o poder.
O passado sangrento da China ensinou o Partido Comunista a temer o caos acima de tudo. Mas outra lição da história é que aqueles que se apegam ao poder absoluto acabam sem poder nenhum. O paradoxo, como alguns dentro do Partido estão começando a perceber, é que, para que a China obtenha sucesso, ela precisa renunciar à fórmula que até agora tem lhe servido tão bem. Se o país continuar como um colosso de autoritarismo, acabará se estagnando, se desintegrando, como gostaríamos. Se tornar mais livre e mais próspero não vai determinar apenas o futuro da China, mas vai mudar muita coisa no resto do mundo também.
Fonte: The Economist
Edmundo%20Muniz, em 06/02/2012
A%20china%20inevitavelmente%20ira%20cair%20na%20curva%20de%20"Mendel%20Fleming",%20ou%20seja,%20com%20a%20investida%20do%20exodo%20rural,%20irá%20submeter%20ao%20processo%20das%20grandes%20economias,%20onde%20o%20campo%20se%20torno%20desinteress
Av. Goias n° 636, Sala 501, Ed. Mercantil - Goiânia- Goiás | Fone: (62) 3945 6381