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Energia: Custo de funcionamento de usinas francesas dobrará até 2025

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01/02/2012 - Opinião e Notícia

Central nuclear de Nogent-sur-Seine (Reprodução/Libération)

Tribunal de contas do país diz que o país precisará prorrogar vida útil dos reatores

 

Um relatório do Tribunal de Contas da França indicou que investir na renovação do parque atômico ou nas energias alternativas é muito caro e não há mais tempo para isso. De acordo com o documento publicado nesta terça-feira, 31, se o limite de 40 anos de operação for mantido, a França precisaria construir 11 reatores de nova geração nos próximos dez anos.  

 

“Colocar em prática tal programa de investimentos em curto prazo é altamente improvável, até impossível”, diz o relatório. Por isso o país precisará prorrogar a vida útil de suas usinas nucleares além dos 40 anos. “Na ausência de decisões de investimento, uma decisão implícita já foi tomada, que compromete a França a prorrogar a vida útil dos reatores para além dos 40 anos, ou alterar rapidamente a matriz energética, o que implica mais investimentos”, continua o documento.  

 

A França é o país que mais depende de energia nuclear do mundo. Até o final de 2022, 22 dos 58 seus reatores completarão 40 anos de funcionamento. Ainda que não haja um limite oficial de operação, a estatal energética EDF espera prorrogar para 60 anos a vida útil das usinas, cuja maioria foi construída nas décadas de 1980 e 1990.  

 

O tribunal também calculou que o investimento no funcionamento das usinas nucleares francesas irá dobrar entre 2011 e 2020, o que representará um aumento de 10% nos custos de produção. O documento de quase 400 páginas foi encomendado pelo governo após o desastre de Fukushima e apontou ainda que o custo para desmantelar os 58 reatores em funcionamento e administrar os resíduos também pode aumentar.  

 

Para a produção de eletricidade (77% da produzida no país), o investimento passará de 1,7 bilhão de euros por ano (2010) para 3,7 bilhões em 2025. Esse aumento se deve, em parte, às medidas impostas pela Agência de Segurança Nuclear (ASN) à estatal de eletricidade EDF após o acidente em Fukushima.  

 

A ministra da ecologia, Nathalie Kosciusko Morizet reconhece as incertezas da energia nuclear, mas a defende dizendo que continua sendo “pouco cara”. O presidente e candidato à reeleição Nicolas Sarkozy também é favor da manutenção do predomínio nuclear, enquanto o candidato socialista, François Hollande se mostra mais inclinado a reduzir a participação do setor na eletricidade para 50% em 2025.  

 

O Tribunal de Contas fez um apelo pelo desenvolvimento de uma estratégia energética que seja debatida e adotada “com total transparência e de forma explícita”.

 

Fonte: Folha de S. Paulo

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