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01/02/2012 - Por Magno Karl
Qual foi o papel das medidas de austeridade na crise europeia?
Foram as medidas de austeridade que levaram a Europa para a crise em que se encontra? São as cortes anunciados em meio à crise que aprisionam o continente em recessão?
Não faz muito tempo, vi um jornalista brasileiro ligando a crise grega à uma suposta política de austeridade, que teria sugado os recursos produtivos do país. Pela lógica do jornalista, que não identifico por não ter encontrado o tuíte em que ele defende a tese, a dívida quase impagável seria o legado da política de “austeridade” do governo grego.
Em coluna publicada ontem, o economista e colunista do New York Times Paul Krugman sugere que os resultados econômicos da Grã-Bretanha mostram que a ideia de que cortes de gastos governamentais geram crescimento é equivocada. O governo britânico, porta-estandarte das medidas de austeridade, estaria vendo sua política de cortes fracassar, com o país vivendo uma situação pior do que a vivida durante a Grande Depressão. Para Krugman, a agenda de David Cameron foi guiada por escolhas ideológicas equivocadas.
Mas hoje Don Boudreaux escreve no Cafe Hayek que a história dos cortes realizados pelo governo britânico é um pouco diferente daquela descrita por Krugman no NYT.
Na sua coluna no New York Times hoje, Paul Krugman culpa os problemas econômicos da Grã-Bretanha na suposta política de “austeridade” do governo britânico. No entanto, ele não apresenta evidências de que o governo da rainha esteja de fato seguindo tal política.
Felizmente, Scott Summer apurou alguns fatos relevantes. De acordo com dados sobre as 44 maiores economias listadas nos “Indicadores Econômicos e Financeiros” da revista Economist, descobrimos que apenas dois governos tinham déficits no orçamento de 2011 maiores (em porcentagem do PIB) do que o da Grã-Bretanha: Egito e Grécia.
Quanto a quantias reais de gastos, eu entrei na internet há alguns minutos para descobrir que os gastos do governo britânico — ajustados pela inflação — aumentaram a cada ano desde o começo da crise financeira. Os gastos em 2011 eram 16% mais altos do que em 2007, e devem ser ainda maiores em 2012.
Fonte: Ordem Livre
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