Jornais








▼ Comportamento

“Ciúme pode incentivar traição”

  • Enviar por email
  • Enviar por email
  • Enviar por email

Email que receberá a matéria:

29/03/2008 - Naila Okita

Todos têm crenças e conselhos a dar quando o assunto é amor. A psicologia também estuda esse fenômeno comportamental e, pela primeira vez, uma pesquisa comprovou algumas teorias sobre o assunto. Uma das conclusões foi a de que quanto mais ciúme se sente em relação ao parceiro, mais chances há de este parceiro se envolver amorosamente com outra pessoa.
Esse fenômeno, chamado “profecia auto-realizadora”, nunca havia sido comprovado nos relacionamentos amorosos. Os testes foram realizados para a dissertação Ciúme romântico e infidelidade amorosa entre paulistanos: incidências e relações, apresentada ao Instituto de Psicologia (IP) da USP pelo psicólogo especialista em relacionamentos amorosos Thiago de Almeida.
No campo amoroso, a “profecia” relaciona o ciúme à infidelidade afirmando que o conjunto de crenças ciumentas que se tem a respeito do outro, quando em nível elevado, pode incentivar a outra pessoa a se engajar em comportamentos relacionados à infidelidade pois, sutilmente, essas expectativas de traição são comunicadas a ela.
Homens e mulheres
Foram entrevistados 45 casais heterossexuais, de várias idades, que estivessem juntos há pelo menos seis meses. Eles responderam, individualmente, a perguntas de comportamento sobre ciúmes e infidelidade e, três meses depois, responderam novamente às mesmas perguntas. Dessa forma, o psicólogo pôde estudar se o ciúme e a infidelidade haviam aumentado em cada caso, e estabelecer a relação entre eles.
Os resultados apontaram também que não há diferença significativa de níveis de ciúmes entre homens e mulheres. Apesar disso, os homens têm tendência maior a trair. “Não quer dizer que traiam mais”, explica Almeida. “Eles estão apenas mais predispostos a procurar outras relações — o ser humano não é naturalmente monogâmico. Mas a cultura não incentivará esse comportamento e limitará a busca de novos parceiros.”

Mitos
O estudo também discutiu, com bases em literatura já publicada e nos testes realizados por Almeida, sete mitos clássicos da psicologia dos relacionamentos amorosos. O primeiro deles diz que todas as pessoas são infiéis. Porém, de acordo com estatísticas internacionais, 60% dos homens e 90% das mulheres são fiéis ao longo da vida.
Uma outra crença aponta que os casos devolvem a paixão a um relacionamento monótono. Segundo o psicólogo, estudos apontam que dificilmente relacionamentos estáveis se recuperam após uma infidelidade.
Quanto ao quem é infiel não ama seu parceiro, Almeida diz que a infidelidade não é necessariamente a busca por outro amor. Diversos fatores, como a busca pela “novidade”, intrínseca à natureza humana, podem contribuir para que ocorra uma traição.
Em relação à crença de que a pessoa escolhida é melhor do que a pessoa traída, o psicólogo comenta que “ninguém completa plenamente o outro, portanto, é preciso conviver com a falta e desenvolvermos as características que consideramos importantes e que possivelmente estão latentes nos parceiros que escolhemos”, enfatiza. Isso significa que nem sempre se trai porque o amante é melhor, mas a própria ausência do parceiro contribui para que se realize uma nova conquista.
Sobre o mito de que a culpa da infidelidade é do traído, por não satisfazer o parceiro, Almeida considera que a culpa não é de ninguém. “A ausência (física ou de apoio psicológico) do outro parceiro e a busca pela “novidade” apenas potencializam a traição”, afirma.
Outro mito apontado pelo pesquisador é: a melhor abordagem para a infidelidade é fingir que não se sabe de nada. Segundo Almeida, a maior dor não é ser traído, mas sim saber que o parceiro acredita que você ignore a situação. “A infidelidade não vem do sexo, mas do segredo”, explica.
A última crença aponta que após a traição, é melhor acabar com a relação. De acordo com o pesquisador, assim como um relacionamento tem um contrato de fidelidade, quando ocorre a infidelidade se estabelece um novo contrato, com novos acordos. “Terminando-se a relação ou não, de qualquer maneira o evento da infidelidade será traumático. Mas estudos revelam que apenas três de cada dez pessoas traídas não perdoam o parceiro e se separam definitivamente”, informa.






Religião  

Pecado, alienação e auto-superação

Recentemente, foi divulgada a notícia segundo a qual o Vaticano teria instituído novos pecados capitais, além dos sete tradicionais. Dentre os “novos pecados”, estariam a desigualdade social, a poluição ambiental, o uso de drogas ilícitas, a pedofilia e a manipulação genética, uma lista muito mais próxima da moderna realidade da globalização.
Uma vez que a indicação dos pecados capitais fora feita originalmente pelo Papa Gregório o Grande, no século VI da era cristã, teríamos uma mudança de grandes proporções na história do Cristianismo, que deveria ser objeto de um concílio ou um documento papal de grande importância. No entanto, não houve nada disso: após um curso para sacerdotes sobre o sacramento da confissão no Vaticano, o responsável pelo Tribunal Penitenciário Apostólico concedeu uma entrevista ao jornal Osservatore Romano na qual falou da manifestação do pecado no mundo moderno e da perda do sentido deste entre as pessoas. Em nenhum momento se falou em novos pecados capitais.
Um pecado é “capital”, segundo a doutrina católica, não por sua gravidade, mas porque dá origem a outros pecados. Nessa visão, um ato, pensamento ou desejo é pecado quando nos afasta de nossa “finalidade verdadeira”, que seria a união com Deus, ou seja, quando se troca a realização do bem eterno por um bem mutável e passageiro. Assim, a poluição ambiental ou a desigualdade social seriam pecados derivados da avareza e da ganância, por exemplo. A pedofilia, associada a vários escândalos dentro do clero católico nos últimos anos, teria origem no pecado capital da luxúria.
Embora a perspectiva católica seja interessante sobre o assunto e o Brasil seja ainda majoritariamente um país católico, proponho fazermos algumas reflexões mais gerais sobre a questão do pecado. A noção tem uma clara conotação religiosa, pois se refere à ruptura com um “bem eterno”, divino, ao qual se deveria buscar. No entanto, mesmo se abrimos mão da idéia de uma realidade sagrada à qual buscamos nos unir pela relação religiosa, a idéia de pecado parece ainda capaz de falar de uma situação humana bastante comum.
Assim como o pecado pode ser definido como ruptura com os outros e com Deus, o conceito de “alienação”, muito debatido na filosofia política, indica também um alheamento de algo que almejamos, um distanciamento em relação ao que nós próprios somos ou queremos ser. Essa cisão no indivíduo ou sociedade, essa distância entre intenção e gesto, entre objetivos e realizações seria um elemento essencial do pecado, algo bem expresso nas palavras de Paulo: “não faço o bem que quero, mas o mal que não quero” (Rom 7, 19).
Temos, então, a alienação econômica, pela qual somos reduzidos à mercadoria, que serve a um determinado interesse de produção de riqueza material, mas pelo qual não temos valor em nós mesmos. Ou somos afastados da própria riqueza material que produzimos, que é apropriada por um outro. A alienação econômica reduz muitos homens a objetos e os priva do mínimo para que eles possam ser humanos.
Há a alienação político-social, que nos afasta do contato com os outros e nos afoga no individualismo insensível ao sofrimento alheio ou que nos afasta da participação nas atividades que podem transformar a vida de muitos.  Curiosamente, temos aqui também a possibilidade de alienação na própria atividade política, que pode absorver tanto de nossas vidas que não deixa espaço para o contato com os amigos, a família ou para a reflexão descomprometida.
Talvez para cada um dos aspectos da vida humana possamos falar de alguma forma desse distanciamento de nós mesmos. Teríamos, por exemplo, uma alienação estética (que nos afasta da beleza), uma alienação epistemológica (que nos afasta da verdade e da racionalidade) ou uma alienação lingüística (que nos afasta da comunicação e da expressão do pensamento).
A alienação, à qual nenhum de nós parece escapar, pois somos todos parciais e finitos, seria um aspecto fundamental da condição humana. Estamos sempre insatisfeitos, sempre em busca ou, numa terminologia mais teológica, sempre na condição de pecado. Mas tal como a condição de pecado é tida na teologia como ocasião de abertura para Deus, a consciência da própria alienação pode ser o ponto de partida para uma constante auto-superação em busca da realização como ser humano. Afinal, com tantos aspectos, a vida humana pode ser muito rica e o tornar-se humano uma tarefa exigente, mas, ao mesmo tempo, fascinante.


Agnaldo Cuoco Portugal é doutor em Filosofia da Religião.

Comentários

► comentar esta matéria



Lomadee, uma nova espŽcie na web. A maior plataforma de afiliados da AmŽrica Latina.
Lomadee, uma nova espŽcie na web. A maior plataforma de afiliados da AmŽrica Latina.
Boca no Trombone

Previsão do tempo

Dilma Rousseff na ONU

DISCURSO DE S.E. A SENHORA DILMA ROUSSEF na íntegra.

Índices econômicos

Publicidade

Av. Goias n° 636, Sala 501, Ed. Mercantil - Goiânia- Goiás  |  Fone: (62) 3945 6381

Mais opções de contato...