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07/04/2010 - Por Julio César Cardoso
A ex-presidente chilena, Michelle Bachelet, também brilhou nas pesquisas em final de governo com excelente aprovação (cerca de 80%). Mas na hora H, o povo chileno, inteligente, viu que o continuísmo não era uma boa solução. Afinal, ninguém é insubstituível. As ideias, ou seja, o conjunto de pensamentos de um indivíduo ou grupo político não pode ser tomado de forma absoluta durante todo o tempo, e deve, com a devida prudência, ceder espaço à renovação natural do pensamento humano, filosófico e político. Assim, é salutar que haja descontinuidade filosofia política no comando da Nação, ou que não se radicalize com a ideia de que, sem a presença de alguém ou sem o seu apoio na direção presidencial, o Brasil não vai pra frente.
Por outro lado, um dirigente de uma Nação não deveria subestimar os esforços dos governos anteriores. Pois, os antecedentes históricos (positivos ou negativos) servem de alerta para o aperfeiçoamento na condução das políticas públicas de novos governantes. Da mesma forma, nenhum governo deveria supervalorizar alguns resultados porventura considerados positivos de sua administração como resposta a seus antecessores.Governar não é participar de concurso de desforra política.
Aqueles que pregam a continuação (política) de governo não devem esquecer de que qualquer hegemonia política só levará o País ao implacável autoritarismo. O que, aliás, já se vem sentindo, por exemplo, com os desmandos presidenciais ao Tribunal de Contas da União (TCU), que fez restrições às obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), e não foram obedecidas. Os governos democráticos precisam de constantes renovações. E todos deveriam ter essa conscientização.
É um grande erro achar que alguém seja insubstituível no Brasil, embora as pesquisas lhe sejam favoráveis. O Chile deu o grande exemplo de democracia, refutando a hegemonia de poder, ao derrotar nas urnas o candidato da ex-presidente, Michelle Bachelet, cujo governo desfrutava de alto índice de aprovação.
07/04/2010 - Por Julio César Cardoso
Todos os ministros (parlamentares), que vão deixar os seus cargos no governo para se dedicarem à campanha eleitoral são uns tremendos oportunistas políticos, que desrespeitam brasileiros. Eles não querem jamais perder o status ou a boquinha rica das benesses públicas. Vivem pulando de galho em galho na ribalta política do poder. São os "profissionais" da política, ou seja, aqueles que vão defender os seus interesses pessoais ou de grupos, mascarados de servidores públicos.
São uns estelionatários políticos descarados. Passam cheques sem fundos ao eleitor dizendo que vão exercer os seus mandatos, mas depois de eleitos dão uma banana ao povo e vão desempenhar outros cargos na administração pública para os quais não foram eleitos. São autênticos traidores de eleitores com práticas políticas de interesses inconfessáveis. São os legítimos abutres vorazes pelas glórias do poder. Não têm decência política. Não têm ética e moralidade pública. E conhecem bem a arte da esperteza política.
Enganam o povo com a destreza de um mágico, só que este exerce a sua arte com profissionalismo e seriedade. São gananciosos pelo poder. E em nome dele são capazes das maiores proezas. Utilizam de todos os artifícios para estarem sempre na vitrine política do poder. Não têm vergonha de se olhar no espelho, mesmo que a imagem reflita o seu caráter distorcido. São falsos democratas que se valem da leniência constitucional, instituída em 1988 e sem a participação expressiva da sociedade, para mandar, desmandar e anarquizar o exercício regular do mandato político.
Soa incompreensível a qualquer cidadão de mediana cultura saber que um parlamentar eleito pode deixar de exercer o seu mandato para prestar serviço em outra área da administração pública. Isso não é um grande desrespeito ao povo? É constitucional, mas muito imoral. E por que não corrigem? Porque os nossos políticos estão acostumados a conviver em um sistema político viciado, em que a famigerada Lei de Gerson, de só tirar vantagem, já se incorporou de tal forma no DNA da política brasileira, que só está faltando ser incorporada na Constituição Federal.
Eleitores, não reelejam ninguém. Política não é profissão. O Parlamento precisa sempre de oxigênio novo. O continuísmo e a mesmice representam uma praga nociva na vida política brasileira e precisa ser combatida. Ninguém é insubstituível.
20/01/2010 - Por Julio César Cardoso
Chega a ser um acinte à sociedade brasileira, que paga alta carga tributária, conviver quase que diariamente com notícias envolvendo a classe política em irregularidade no desempenho de suas atividades públicas.
Parece que não estamos num País constituído de Judiciário para defender a sociedade e os bens públicos das mãos desses larápios de colarinho branco. Se já não bastasse a ousadia dos movimentos subversivos dos sem-terra (MST), invadindo propriedades alheias privadas e públicas sem a devida contraofensiva jurídica de nossos tribunais, como defensores da Constituição e da segurança jurídica, ainda temos que presenciar e aturar, debochadamente, por exemplo, o escárnio do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda. Ele desafia a todos, conspurcando a seriedade que representa governar uma unidade federativa sem que a ordem jurídica brasileira tome nenhuma providência para afastá-lo imediatamente de suas funções, em nome do decoro e moralidade pública, depois do que tudo foi mostrado ao País.
O nosso Judiciário está muito amarrado à burocracia constitucional. Parece até que ele gosta da forma processual esculpida em nossa Constituição, que marca os limites de sua atuação. O tempo passa e a revisão constitucional ainda não foi realizada, e o Supremo Tribunal Federal - guardião constitucional - mostra-se acomodado e não reclama a realização da revisão legal.
Mas o comodismo de nosso Judiciário não pode ficar sobrestado à letra fria da lei e assistir de camarote a banda passar desfilando cordões de invasores de terras e de políticos transgressores rindo de nossas caras, com os bolsos, meias e cuecas cheios de dinheiro surrupiado de nossos impostos ou de propinas recebidas. Esse é o lamentável trágico-cômico cenário de nosso circo político por onde transitam bufões de terceira categoria, mascarados de servidores públicos e se locupletando à nossa custa, que não pode mais existir.
E o Judiciário brasileiro, burocrático de sempre, sentado em berço esplêndido, não desperta para defender a moralidade pública, a segurança jurídica das instituições e das pessoas físicas que são constantemente desrespeitadas. Ele (Judiciário), juridicamente, só se manifesta quando é acionado. Ora, está na hora de o Judiciário mudar esse comportamento e ser mais dinâmico e menos burocrático e político, e passar a defender todos os segmentos da vida brasileira com presteza.
É inadmissível que o governador do Distrito Federal continue no comando distrital subvertendo a instituição e promiscuindo os servidores que lhe prestam apoio, e com cinismo e despudor vir pedir perdão em público, reconhecendo os seus erros, porque também sabe perdoar aqueles que o tem ofendido, dando uma de falso Cristo do cerrado brasiliense. E a ordem jurídica brasileira máxima, o STF, pasmem, não toma nenhuma medida para impor respeito ao governador.
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