▼ Colunistas

Sebastião Nery

Sebastião Nery

Jornalista

Futebol e política

  • Enviar por email
  • Enviar por email
  • Enviar por email

Email que receberá a matéria:

18/06/2010 - Por Sebastião Nery

Sérgio Porto, nosso saudoso Stanislaw, dizia que “no futebol a cabeça é o terceiro pé”. Os bretões o inventaram achando que aquilo era só uma brincadeira sem pé nem cabeça. E no entanto metade da humanidade está hoje em frente a uma TV ou rádio para ver ou ouvir mais uma Copa.


Até macacos jogam. É clássica, e já contei aqui, a história do Adalardo de Alegrete, no Rio Grande do Sul. A cidade estava em festa. O Cruzeiro de Porto Alegre tinha chegado para jogar contra o Alegrete Esporte Clube. Banda de música, bombacha e chimarrão. Um furor cívico.


 Na hora do jogo, a tragédia. O goleiro tinha tomado um porre de vinho e roncava no canto do vestiário. O primeiro reserva caíra do cavalo, quebrou a perna. O outro reserva fugira na véspera com a sobrinha. 
 

 A solução era o circo. Foram buscar o “Adalardo”, o macaco prodígio, que pegava coco jogado dos quatro cantos do picadeiro.

 


Adalardo

 Adalardo não negou fogo. Camisa número um, piscando o olho e coçando a cabeça debaixo da trave, pegou tudo quanto foi bola. E ainda cuspia no centroavante. Foi um delírio. Acostumado aos aplausos, fazia pontes e defesas sensacionais. Alegrete cantava a trave fechada e a vitória.


 Mas houve um pênalti contra o Alegrete. Adalardo achou que tinha havido uma sujeira. A cidade inteira olhava para ele calada. Por que não batiam palmas? Por que não aplaudiam? A culpa era certamente daquele homem todo de preto que tinha botado a bola alí na frente dele e mandara outro chutar. Antes do chute do pênalti, Adalardo enlouqueceu.


Saiu da trave aos pinotes, deu urros no meio do campo, avançou no juiz e lhe mordeu o dedo, quase arrancando. O jogo acabou empatado.


Zico

 O deputado Antônio Moraes, do MDB do Ceará, professor, radialista, arranjou uma maneira de aproveitar uma Copa do Mundo para continuar a campanha contra a Arena. Ia para o rádio, pegava o microfone, começava a irradiar uma hipotética partida de futebol:
 - O Coronel Virgílio passa para o coronel Bezerra, o coronel Bezerra passa para o coronel César Cals, o coronel Cals avança, dribla, chuta ..... “Gooolll. Goooollll contra o Ceará”!


 E pedia voto para o senador Mauro Benevides,“o Zico de Iracema”.


    

Osório


 Osório Vilas-Boas, vereador, presidente da Câmara Municipal de Salvador, candidato a prefeito, deputado do MDB, acabou cassado pelo AI-5 em 1969. Em maio de 64, era presidente do Esporte Clube Bahia, o maior do Estado. Ia embarcar para os EUA com seu time para um torneio em Nova York, recebeu ofício do consulado americano : -
“Consulado Americano, Salvador, Bahia, Brasil, 19 de maio de 64.
 “Ilmo. Sr. Osório Vilas-Boas, Rua Aurelino Leal, 36, nesta.


 Prezado Senhor: este escritório lamenta informar que está impossibilitado de dar o visto a V.Sa., porque se verificou que V. Sa. é inelegível (sic) para visto,  sob a seguinte seção da “Lei de Imigração e Nacionalidade”:


 - “Seção 212 (a) (28) (3), a qual proíbe a concessão de vistos a qualquer pessoa que advogue, ou pertença ou seja filiada a grupos que advoguem a doutrina do comunismo mundial. No entanto, poderemos dar maiores considerações ao seu requerimento para visto se V. As. Obtiver e apresentar a este escritório os seguintes documentos: atestado assinado pela polícia e pelas autoridades militares em como V. Sa. não advogou ou foi filiado a grupos que advogam a doutrina do comunismo mundial.
 “Atenciosamente, pelo cônsul, Roberto E. Service – vice-cônsul”.
 Osório acabou indo e o Bahia se vingou do consulado idiota.

 

Bahia

 Osório Vilas Boas, presidente do clube Bahia por longos anos, era deputado talentoso e bom orador. Na Assembléia, o deputado Durval Gama, médico, não tinha condições de discutir com ele, apelou:
 - V. Exa. é um analfabeto, não pode transformar esta casa em uma Assembléia de terceira categoria.
 - Sou quase analfabeto, sim, mas tenho vivência. Conheço o mundo inteiro viajando com o Bahia. V. Exa. sabe qual é a capital da Escócia?
 - Não sei não.
 - Pois eu sei. Glasgow. E estive lá.
 Durval Gama desistiu.

 

Negrão

 No bar de Ipanema, no Rio, um grupo de rapazes bebia e papeava. Um deles começou a desancar o Negrão:


 - Nosso mal  é esse Negrão. Vocês vão ver, vamos nos enterrar por causa dele. Não tem mais jeito. O Negrão está velho, cansado, preguiçoso. Não é mais aquele. Por que insistir nele? O negócio era tirar e mandar descansar. Tem muita gente melhor para o lugar do Negrão.


 Do lado, um policial ouvia e esperava. Quando o garoto parou para tomar fôlego, estava seguro:


 - Vamos, está preso. Está aí pregando a derrubada do governador.
 - O senhor está é maluco. Será que neste país a gente não pode mais falar mal nem do Pelé?


 Ele estava falando mal era mesmo do Negrão de Lima, governador da Guanabara. Mas Pelé, o outro Negrão, salvou mais uma jogada.

 

 

Futebol e política (2)

 
    

RIO – Em 1958, o Brasil jogava com a Suécia a partida final da Copa. Rubens Amaral, Luís Brunini e Augusto de Gregório sofriam o começo do jogo na rua Redentor, em Ipanema. O Brasil perdendo de 1 a 0, nada de fazer o gol. Toca a campainha, entra o ex-presidente Dutra,vizinho. 
O locutor grita: - Goooool! O Brasil empatou. Dutra conversou um pouco, saiu. Nada de o Brasil desempatar. Toca novamente a campainha, Dutra volta. O locutor grita: - Goooool! O Brasil desempatou.
 Só deixaram o velho sair depois do jogo. O Brasil derrotou a Suécia por 5 a 2 e ganhou a Copa.

 


José Américo

 José Lins do Rego, romancista e fanático por futebol, resolveu promover em João Pessoa (Paraíba) um “Campeonato Nacional de Futebol Amador” para homenagear o governador José Américo. O campeonato foi indo, a Paraíba fazendo figura. A cidade explodia de feliz. Chegou a partida final: Bahia x Paraíba. O filho do governador, José Américo Filho, chamou o juiz, tenente Lira, da Polícia Militar do Estado:
 - Lira, você sabe, pai não pode perder. Este campeonato é uma homenagem a ele e temos que ganhar de qualquer jeito. Se a Paraíba ganhar, você vai a capitão. Se perder, adeus farda.
 Começou o jogo, a Bahia apertando. As arquibancadas urravam:
 - Paraíba! Paraíba!

 


Paraíba

 Lira olhava, levantava a mão e pedia calma. Marcava penalidades, perseguia os baianos, protegia os paraibanos. E o jogo irritantemente zero a zero. Perdeu a paciência, marcou um pênalti contra a Bahia. Não havia pênalti nenhum, mas marcou. As arquibancadas berravam enlouquecidas. Bitola, artilheiro da Paraíba, chutou. O goleiro da Bahia pegou. Lira gritou:
 - Nulo! Chuta de novo! O goleiro se moveu no gol!
 - Não me movi não, seu juiz.
 Lira deu três passos, chegou bem junto do goleiro e disse no ouvido:
 - Fica calado aí, negro, que eu mando te arrebentar. Já viu goleiro pegar pênalti?
 Virou capitão. (Devia ser avô da Dilma).


Pernambuco

 Dia de festa em Limoeiro (Pernambuco). O time da cidade ia disputar com Garanhuns a final do Campeonato Intermunicipal. O coronel Chico Heráclio chegou todo de branco, sentou na cadeira de vime,o jogo começou.
 Primeiro tempo, segundo, nada. Zero a zero. Cinco minutos para acabar o jogo, o juiz, que tinha ido do Recife, marcou pênalti contra Limoeiro. A torcida endoidou, invadiu o campo. O juiz correu para junto do coronel, com medo de ser linchado. O coronel levantou a bengala :
 - O que é que houve, seu juiz?
 - Um pênalti que eu marquei, coronel.
 - O que é esse negócio de pênalti?
 - É quando o jogador comete uma falta dentro de sua própria área. Aí, a bola fica ali em frente à trave e um jogador adversário chuta.
 - E faz o gol, seu juiz?
 - Geralmente faz, coronel, é difícil goleiro pegar pênalti.

Chico Heraclio

O estádio, lotado, esperando a decisão. O coronel sentou na cadeira:
- Muito bem, seu juiz. Sua explicação é muito boa. E eu não vou tirar sua autoridade. Já que houve o tal do pênalti, faça como a regra do futebol manda. Só que o senhor, em vez de botar a bola em frente da trave de Limoeiro, faça o favor de botar a bola do outro lado, em frente da trave de Garanhuns e mande um jogador daqui da cidade chutar.
- Mas, coronel, isto é contra a lei.
 - Pois já ficou a favor. Aqui em Limoeiro a lei sou eu.
 Limoeiro ganhou. (Lula acha que a eleição vai ser em Limoeiro)

Barreto

 Barreto Guimarães, vice-governador de Pernambuco, gordo e barrôco, estava radiante naquela noite. O governador Eraldo Gueiros havia viajado para o Rio e ele assumira o governo por um dia. Deu recepção no palácio para comemorar. Chega o garçon com a bandeja de uísque:
 - Um scotch, governador? 
 - Meu filho, aprenda de hoje para sempre. Eu não bebo. Só tomo atitudes. Até em futebol só tomo partido quando não há o risco de errar.


Moreira


 Do Rio, o Rubens Moreira, dirigente de futebol, telefonou para Barreto Guimarães. Havia acertado um jogo de um time do Rio em Recife:
- Como está o tempo aí, governador? Estou com medo de chover amanhã. Será um prejuízo enorme.
 - Fique tranqüilo que daqui a pouco lhe informo. Em Olinda conheço todo mundo. Lá tem um Observatório, vou saber do encarregado.
 O encarregado passava o dia bebendo no botequim “Saramoneto”. Às 16 horas, ia para o Observatório. Barreto ligou ainda da recepção:
 - Companheiro, aqui é o governador Barreto. Você pode dizer se o tempo amanhã estará propício para o futebol?
       - Para futebol não sei não.Mas para tomar pau já está ótimo desde hoje.
 Foi demitido.


 

Comentários

► comentar esta matéria

O alfenim da infância

  • Enviar por email
  • Enviar por email
  • Enviar por email

Email que receberá a matéria:

11/06/2010 - Por Sebastião Nery

RIO – Domingo, dia 6 de junho, a “Veja” chegou às bancas com um texto de critica literária de Nelson Ascher, que começava assim :
 - “O Espírito Livre Que Faltou à Rússia – O Fundador da Língua Russa – Puskin : Oposição Veemente à Tirania Czarista  e Morte em um Duelo, por Ciúme”.
“Pela primeira vez é traduzido no Brasil o clássico “Eugênio Oneguin”, de Alexandre Puskin. Considerada uma pedra fundamental da literatura russa, a obra é também o perfeito antídoto para o autoritarismo que marca a história do país. Alexandrer Sergueievitch Puskin (1999-1837), pai da literatura russa, fundou a tradição que deu ao mundo Gogol, Dostoievski, Tolstoi e Tchecov”.
   

Puskin


“É não só sua obra-prima mas também um monumento que rivaliza com a “Divina Comedia“ de Dante, o “Fausto” de Goethe e as tragédias de Shakespeare. Esse romance em versos, antes inédito em nossa língua, sai agora finalmente em português graças a um trabalho de mais de dez anos do tradutor Dario Moreira de Castro Alves”.
“Não é à toa que se trata de obra dificílima de traduzir. Só em inglês já saíram mais de dez versões, nenhuma considerada inteiramente satisfatória. O trabalho de Dario Moreira de Castro Alves é serio e empenhado, mas há muito a ser aperfeiçoado em sua versificação : a tradução de uma obra dessas é trabalho inacabável”.     


Dário

 

No dia seguinte, 7 de junho, Ancelmo Góis (foto) contou no “Globo” :
 - “O embaixador Dario de Castro Alves, que faleceu ontem aos 83 anos, tinha especial paixão por dois países : Portugal e Rússia. Foi o primeiro a traduzir diretamente do russo o clássico “Eugenio Oneguin” de Alexander Puskin” (Editora Record, 288 paginas, Rio)”.
Meu amigo morreu exatamente no dia da grande alegria de sua vida.
E que bela vida teve. Dario Moreira Castro Alves nasceu em
Fortaleza, Ceará, em 14 de dezembro de 1927. Em 1949, formou-se em Direito pela PUC do Rio e no mesmo ano passou no concurso do Instituto Rio Branco para o Itamaraty.
Serviu em Buenos Ayres, na ONU (Nova York), Moscou, Roma, Porto (onde foi Consul Geral), Lisboa (onde foi embaixador de 1979 a 1983), foi embaixador do Brasil na OEA (Organização dos Estados Americanos) em Washington, cujo Conselho Permanente presidiu.
     
Diná


De tal maneira ligou-se a Portugal que, aposentado, lá viveu muitos anos e o mais importante premio da Câmara de Comercio Luso-Brasileira é o “Premio Dario Castro Alves”. Cronista, escritor, tradutor, viveu dos livros, para os livros, com os livros. Entre tantos, “Era Lisboa e Chovia – Dicionário Gastronômico Baseado na Obra de Eça de Queirós”, “Era Porto e Entardecia - Dicionário de Enologia Baseado na Obra de Eça de Queirós”
Foi casado com Diná Silveira de Queirós (1910-1982), autora de  “Florada na Serra”, “A Muralha”, segunda mulher a entrar para a Academia Brasileira de Letras. Viúvo, casou-se novamente com outra escritora. 
Ultimamente vivia com a família em Fortaleza, onde varias vezes o reencontrei, em longos almoços e conversas na casa de seu dileto amigo o ex-deputado e embaixador, também em Lisboa, Paes de Andrade.

Cartão

O derradeiro cartão, que ele me deixou na recepção do hotel, em Fortaleza, depois do lançamento, lá, de meu livro “A NUVEM – O QUE FICOU DO QUE PASSOU – 50 ANOS DE HISTÓRIA DO BRASIL” (Editora Geração – SP), guardado aqui comigo, com sua letra firme apesar dos 83 anos, é um retrato dele, de sua alma límpida, seu imenso coração :
- “Queridos amigos Sebastião Nery e Beatriz. Foi um prazer ter estado com vocês aqui no Ceará. Trago-lhes uns doces do Ceará, muito especialmente o alfenim, que tem gosto e cheiro da infância. Boa viagem. Dário”.
O grande poeta Puskin, barba cheia, cabelos encaracolados, lá em cima de sua estatua, em Moscou, bem merecia o tradutor que lhe deram.


Ficha Suja


O presidente Lula sancionou o projeto dos fichas-sujas: recebendo qualquer tipo de condenação de qualquer colegiado da Justiça, o acusado vira “ficha-suja” e não poderá nem continuar no cargo nem disputar outro.
Mas o Brasil é um país tão maluco que já inaugurou a nova lei descumprindo-a. O maior “ficha-suja” do Brasil é exatamente o presidente da República, que já só este ano já foi condenado cinco vezes seguidas pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), logo por um colegiado, e deveria ter perdido o cargo imediatamente. Acontece que nada lhe vai acontecer, porque o TSE não tem moral e cívica para fazer cumprir sua decisão.
Quando aparecer um pé rapado condenado, o TSE vai para a TV.

Gullar

 

O Palácio do Planalto fingiu que não leu. O Franklin Martins das Comunicações continuou incomunicável. Todos fazendo de conta que de nada sabem. Mas Lula e o governo ficaram possessos com o poeta Ferrreira Gullar (foto) porque, ao ganhar o Prêmio Camões (o maior da Língua Portuguesa), disse à “Folha”, que “Lula é um farsante”. Disse e repetiu.


O novo Celso Daniel

Rio– Jair Calixto, gauchão forte, vermelho e desabusado, primo de Leonel Brizola, era prefeito de Nonoai, no Rio Grande do Sul, fronteira de Santa Catarina. Em 1961, fundou o primeiro Movimento dos Sem-Terra. Quando os ministros militares, na renúncia de Jânio Quadros, tentaram impedir a posse do vice João Goulart, Calixto reuniu várias centenas de homens e marchou para Porto Alegre. Na primeira fazenda, a tropa com fome, mandou chamar o dono:
- Preciso de carne para meus homens.
- Pois não, prefeito, dou umas três vacas.
- O senhor está pensando que eu estou pedindo carne para arroz de carreteiro? Estou querendo é carne de elite. Manda matar 10 bois.

Calixto

Na entrada de Passo Fundo, Calixto reuniu todo mundo:
- Vou dar uma chance de vocês roubarem um pouco. Quem quiser roubar, dê um passo à frente.
Muitas palmas e uma centena pulou para a frente.
- Já vi. Eu só queria saber quem eram os ladrões. Quem deu um passo à frente fica fora da tropa. Ladrão não luta pela pátria.
E seguiu para Porto Alegre com os não-ladrões.

Mercadante

O atual escândalo dos Dossiês da campanha de Dilma, que mal começou, vergonhoso repeteco dos Dossiês da campanha de Aluíso Mercadante em 2006, não é novidade nenhuma. Os dois são a cara do PT. Cada vez mais audaciosos. Nenhuma surpresa. Só um passo à frente, como o que o valente e saudoso Calixto exigiu de seus comandados.
Há muito tempo, anos muitos, advirto aqui : o PT não é um partido, é um vasto escritório de negócios. Nas campanhas eleitorais, enlouquecem. Eles acham que quem não consegue armar seus esquemas de faturamento durante a campanha não terá mais chance de estruturar depois da eleição. Por isso as crises e escândalos surgem sempre antes das eleições, quando aparentemente deveria ser um período de calma e entendimento.

Pimentel

Não sou segurança ou conselheiro do ex-prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, que mal conheço de jornais e TVs, mas me sinto no dever de lhe dar um conselho : arranje um colete à prova de balas. Estou sentindo cheiro de Celso Daniel nessa guerrilha pela disputa do comando da campanha de Dilma. Não é só o Haiti.
Santo André também é aqui. Em 2002, Lula convocou o jovem, culto e respeitado professor Celso Daniel, prefeito de Santo André, para coordenador do programa de sua campanha. O chefão era José Dirceu, presidente do partido e super-poderoso porque era o homem que sabia onde estava o dinheiro. Segundo o Ministério Público apurou depois, a prefeitura de Celso Daniel liberava, todo mês, um milhão de cruzeiros de uma caixinha de empresários de ônibus, que o assessor Sombra encaminhava diretamente para a direção nacional do PT em São Paulo, quer dizer, para José Dirceu.

Daniel

 

Quando foi convocado para assumir a formulação do programa do futuro governo de Lula, Celso Daniel percebeu que era impossível manter aquela dúbia situação : formulador da ética e fornecedor da corrupção. Convocou a equipe mais próxima e mandou encerrar de vez a caixinha.
Dias depois, o corpo de Celso Daniel aparecia assassinado numa estrada perto de São Paulo. Parentes e secretárias que sabiam da história contaram tudo aos Procuradores. Mas Lula já era o presidente eleito e empossado e jogaram uma pedra monumental em cima do assunto. Dois irmãos dele, que sabiam de tudo, preferiram esconder-se no exterior. Só na semana passada, oito anos depois, o Superior Tribunal de Justiça marcou afinal o julgamento do Sombra. Os outros escaparam.


Palocci

Morto Celso Daniel, apareceu para substituí-lo, na coordenação da campanha de Lula, o misterioso prefeito de Ribeirão Preto, Antonio Polocci, melífluo barbudinho que se meteu em mil histórias lixentas na prefeitura de Ribeirão Preto, participava das festas vespertinas na Casa dos Amores do Lago Sul de Brasília e violou a conta do caseiro Francenildo.
O processo da conta só agora chegou ao fim e o único denunciado foi o presidente Matoso, da Caixa, que fez o que seu chefe mandou. Partido monótono, o PT repete em 2010 o faroeste de 2002. Mais uma vez o mesmo Palocci, ex-prefeito de Ribeirão Preto, aparece, em nome dos paulistas, disputando o comando da coordenação da campanha de Dilma com o mineiro ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel, que vamos rezar para que não tenha o destino de Censo Daniel de 2010.

MORENO

Não estou inventado nada. Jorge Bastos Moreno, o mais palaciano repórter brasileiro, mais intimo do poder, resumiu tudo sábado no Globo: - “Nem em off Pimentel diria o que está acontecendo. Mas eu digo. O PT paulista, Palocci à frente, quer derrubar Pimentel. O PT de Minas e Lula não gostam dele. Dirceu veio tentar salvá-lo. É a vingança dos aloprados contra Dilma.
Pimentel não faria Dossiê nem contra uma mosca. Paga o preço por ter contratado o Lanzetta. Franklin Martins odeia o Pimentel. No comando da campanha, Pimentel só tem a Dilma e eu”


 

Comentários

► comentar esta matéria

Brasília desvairada

  • Enviar por email
  • Enviar por email
  • Enviar por email

Email que receberá a matéria:

28/05/2010 - Por Sebastião Nery

RIO – Quando Juscelino Kubitschek desceu em Brasília, pela primeira vez, em 2 de outubro de 1956, Joaquim Roriz já estava por ali.
Luziânia, a 70 quilometros de Brasília, onde ele nasceu em 4 de agosto de 1937, terceira maior cidade de Goiás (depois de Goiânia e Anápolis), é a segunda mais antiga, vinda do |Império.


Desde a proclamação da República e a Constituinte de 1891, o “Grupo de Santa Luzia”, da cidade, manteve sempre acesa a luta para construção da capital no Planalto Central. Roriz cresceu ouvindo falar nisso. O pai, Lucena Roriz, era comerciante e líder político. Quando começaram as obras da capital, no fim de 56, os Roriz trabalharam nela, transportando e fornecendo material de construção.

 


Roriz

Roriz casou-se com Weslian Pelles, filha de um libanês, dono da fazenda desapropriada onde é hoje o Plano Piloto. Fiscal de rendas do Estado, formado em Ciências Econômicas em Goiânia, fazendeiro, em 68 vereador em Luziânia, pelo MDB. Em 78,deputado estadual,o mais votado.
Em 80, os irmãos Santillo, de Anápolis (Henrique, senador, e Ademar, deputado), romperam com o PMDB, porque Íris Rezende, anistiado, foi lançado candidato a governador para 82. Henrique queria ser candidato. Os Santillo saíram do PMDB com um grupo de deputados e fundaram o PT. Com eles, Joaquim Roriz. Ficaram quase um ano no PT. Mais tarde, voltaram todos ao PMDB. Com eles, Roriz. Íris se elegeu governador, Ademar Santillo federal e Roriz tambem.

 

Tetra


Em 86, Roriz foi eleito vice-governador de Goiás com Henrique Santillo. Em 87, crise na prefeitura de Goiânia, a Câmara dos Vereadores afastou o prefeito, o governador Santillo nomeou Roriz prefeito.
Em 88, o governador José Aparecido ia deixar o governo de Brasília para assumir o ministério da Cultura. Sarney, vizinho dos Roriz no sítio do Pericumã, em Luziânia, convidou o vice-governador e prefeito de Goiânia.
Em 90, Fernando Collor nomeou Roriz ministro da Agricultura. Roriz passa o governo para o vice Wanderley Valim. Quinze dias depois, decide disputar o governo de Brasília. Deixa o ministério e ganha no primeiro turno. Depois, elege-se mais duas vezes.
Quatro vezes governador. Uma nomeado, três eleito.

 

Ibope


Cinco da tarde de 25 de outubro de 1988. Na sala ampla da casa avarandada, com cara de casa de fazenda, em Brasília, Joaquim Roriz e amigos e coordenadores da campanha estão de olho na TV Globo, esperando a pesquisa de boca de urna do IBOPE. Um tiro no peito.
O IBOPE diz que Cristovam Buarque vencerá por 52 a 48. E Carlos Montenegro, ao vivo, desafia: - Cristovam está eleito e se o IBOPE errar, passará duas eleições sem fazer pesquisa em Brasília.
Mudaram para a TV Brasília. O Vox Populi dá Cristovam com 51 e Roriz com 49. Passaram para a TV Bandeirantes. O Soma, de Brasília, muda o jogo: Roriz 51 e Cristovam 49. Mas é amigo, talvez esteja errado.
Era preciso esperar os votos. Começaram a pingar. Cristovam na frente. Seis horas, sete, os votos já despejando. Mais de 60% apurados. E Cristovam na frente, avançando. Já estava com quatro pontos de diferença. Confirmando o IBOPE. E o volume dos votos aumentando, acelerando.

 


Noblat


Fez-se um silêncio de hospital de rico. Ninguém falava. Alguns, discretamente, choravam. Às sete e meia, Roriz jogou a toalha. Levantou-se, olhou os amigos, as lágrimas rolando pelo rosto, saiu andando devagar, empurrou a porta do quarto. Foi chorar sozinho.
Na TV Brasília, o experiente Ricardo Noblat, editor do “Correio Braziliense”, comandava um noticiário completo, nacional, concentrado em Brasília. Cristovam ganhando e Noblat preparando o grande final, entre as oito e nove da noite, quando estariam terminadas as apurações da capital.
Convidou Cristovam e Roriz. Não foram. Não podiam ir, antes do último voto. Chamou Luís Estevão, o senador eleito, aliado de Roriz. Não foi. Levou Arlete Sampaio, vice-governadora e senadora derrotada do PT, Paulo Octávio, deputado eleito do PFL, aliado de Cristovam, e o professor Nascimento, presidente do Idéias, instituto de pesquisa do PT.


Cristovam

Chegaram leves, saltitantes, sorridentes, eufóricos. Os olhos grávidos de votos e de vitória. Na TV, Noblat lia os últimos números dos Estados e comandava o debate sobre a vitória de Cristovam. De repente, recebe um papel. Olha, assusta-se, arregala os olhos, confere, solta a bomba:
- “Virada em Brasília. Roriz passou Cristovam. Os números finais do Núcleo Bandeirantes e de Ceilândia puseram Roriz na frente. E ainda falta a maioria dos votos de Samambaia, Santa Maria e Recanto das Emas”.
Arlete começou a chorar. A baiana de Brasília sabe onde o povo vota.

 

PENTA

Depois do quarto mandato de governador, Roriz elegeu-se senador. Cometeu um penalty com um cheque de Constantino da Gol, renunciou.
Agora, todos juntos contra ele, em chapa “imbatível”: Agnelo Queiroz, do PT, baiano de Itapetinga, para o governo. Senado, Rodrigo Rolemberg, do PSB, e Cristovam Buarque, PDT. Vice, Tadeu Felipeli, PMDB. Pode não dar em nada. Só a Justiça barra Roriz. Se não,será um penta-governador.

 

As famílias desafinadas
 

JAQUAQUARA (BAHIA) – Cem quilometros floresta a dentro, durante o dia a Amazônia é um espanto e um deslumbramento. À noite, é um medo incontido, insopitável. Pios, silvos, gemidos, uivos e urros.
Na década de 70, enfiei-me lá até um posto avançado da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisas Agrícolas), dirigida pelo gênio do cientista Eliseu Alves e que revolucionou a moderna agricultura brasileira.
Era um campo de pesquisa sobre o guaraná, um filho das florestas. Depois do dia inteiro caminhando veredas, afastando galhos e desviando de cobras e cipós, sob arvores monumentais, à noite era hora de voltar ao acampamento, tomar um uísque, um vinho, jogar conversa fora, para embalar o sono sobre a rede, naquele imenso e turvo mundo verde.

 

Wanderley

De repente, aparece um engenheiro agrônomo, acampado lá :
- Nery, somos conterrâneos. Também sou de Jaguaquara. E fomos vizinhos. Meu pai era o regente da Banda de Musica Maestro Wanderley, colada à sua casa. Morávamos lá, na casa atrás do salão da banda.
- Então era ele que embalou um pedaço de minha infância, tocando flauta, clarinete, saxofone, piston, todo tipo de instrumento de sopro?
- Era, sim. Nos desfiles de 7 de Setembro da Escola Carneiro Ribeiro, a banda ia na frente e vocês, quer dizer nós, marchávamos atrás.
- Lembro-me bem. Como é seu nome?
- Do-Re-Mi. Nome mesmo. Meu pai era tão tarado por musica que me pôs na escala musical. Sai, estudei em Salvador, vim para a Embrapa.

 

Embrapa

Dai a pouco, chega mais um engenheiro agrônomo :
- Nery, este é meu irmão. Também nosso conterrâneo de Jaguaquara. Nasceu lá mesmo, dentro da Banda Maestro Wanderley.
O presidente Eliseu Alves, Silvestre Gorgulho e Renato, jornalistas da Embrapa que comboiavam o grupo de jornalistas, ouviam a conversa:
- E como é o nome de seu irmão?
- Sol-La-Si.
- Vocês têm irmã?
- Temos. É a Fazinha. Está lá em casa.
Caímos todos na gargalhada. Uma família afinada.

 

Golpe de 64

O maior crime político que o golpe militar de 1964 cometeu foi ter transformado a política partidária em famílias inteiramente desafinadas. Dissolveu os partidos que, naquela época, de uma maneira ou outra, representavam grandes pedaços da sociedade : o PSD mais rural, a UDN mais classe media, o PTB mais popular. E comunistas no PCB, socialistas no PSB, católicos no PDC, integralistas no PRP.
Agora, a vida partidária brasileira virou uma zorra. Nada tem identidade com nada. O pais, os partidos e as eleições ficam à mercê de lideranças que a duras penas vão surgindo. Ainda bem que, de surpresa, aparece um fenômeno cultural como a Marina, uma índia que escreve melhor, diz melhor, fala melhor, expõe melhor idéias e propostas do que a maioria da Universidade, da chamada Academia.
Ela está conseguindo alimentar, instalar no pais uma ideologia verde, ecológica, seria, exeqüível, de desenvolvimento sustentável.

 


Marina, Serra e Dilma

O outro lado da Marina é o PT, que morreu sem missa de sétimo dia e foi substituido pelo Lulismo, mais uma perna dos “ismos”, essas pragas populistas, fundamentalistas, totalitárias, que infectam países em todos os continentes e muito especialmente na América Latina e na Ásia.
Um chefete instala-se como chefão, dá as ordens e toda a carneirada se curva diante dele, porque é ele quem distribui a ração do poder.
Colado com o PT, tão irmão na total falta de caráter político quanto ele, vem o PMDB, que não é um partido, é um molusco, arrastando-se e comendo pelas beiradas. Salvam-se, em alguns estados, como São Paulo, Pernambuco, Rio Grande,diretórios que para se libertarem têm que romper.
O PSDB, DEM, PSB dizem querer ser partidos, mas estão sempre na dependência de que lideranças de fato, como em São Paulo, Minas, Paraná, Pernambuco, garantam partidos com cara de partido.
E assim em quatro meses vamos ter que optar não entre partidos mas entre candidatos: Marina, Serra, Dilma. Dois nomes e um pseudônimo.

 

A nuvem

Ainda bem que nem tudo é esse desafinado mundo partidário. Minha querida Jaguaquara me deu um tombo de emoções no fim de semana. Prefeitura, Câmara de Vereadores, Colégio Taylor Egidio e outros, rádios, jornais, comerciantes (o CDL da líder Noeli Almeida), fizeram uma bela festa para lançar “A Nuvem – 50 anos de História do Brasil” (Ed. Geração).
Todo mundo lá. Amigos de Salvador (Luis Gonzaga da PetroBahia, os irmãos Nery do Colégio Sartre, José Acurcio Vaz representando a Assembléia, o empresário hoteleiro Lemos Neto), de Vitória da Conquista (ex-ministro Ubirajara Brito, ex-deputado Elquisson Soares, Humberto Flores, Eduardo Nery, professores, mais de uma dezena), outros de Jequié (a poetisa Mara Gasbarre), Itiruçú, Itaquara, e mais os que foram de Minas (professor Nicolau Schaun), Rio (advogado Cacau de Brito), e até um que veio dos Estados Unidos, o poeta e catedrático de literatura da universidade da Califórnia, Narlan Teixeira. Haja coração para um pobre marquês!


 

Comentários

► comentar esta matéria

Eu disse que eu não disse

  • Enviar por email
  • Enviar por email
  • Enviar por email

Email que receberá a matéria:

15/05/2010 - Por Sebastião Nery

RIO – José Maria Alkmin. ministro da Fazenda de Juscelino, telefonou para o “Estado de Minas” e chamou o repórter político Olavo Drummond:
- Olavo, cancele a entrevista que eu lhe dei hoje à tarde.
- Mas, doutor Alkmin, o senhor não quis me dizer nada.
- É isso, meu filho. Então você diga que eu disse que eu não disse nada.
- E o que é que adianta isso, doutor Alkmin?
-E que o empresariado está esperando uma definição minha.
Lula fala todos os dias. Sempre dizendo que disse que não disse nada.

 

Dívida

O "eu não disse?" é antipatico. Cobrar o que se escreveu antes pode parecer cabotinismo. Mas há horas em que se torna necessário para
o leitor conferir as informações e ver o cuidado com que são apuradas e escritas . Semana passada, quinta, 18 de março, escrevi aqui "O Pseudonimo da Dívida", chamando a atenção para a explosão da dívida publica:
1- A Dívida Interna (só a Divida Publica Federal) já passou de 1 trilhão e 600 bilhões de reais. Significa que saltou de 38,5% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2008 para 43% em 2009. E continua subindo. Mas a Dívida Interna não se expressa unicamente através da Dívida Pública Federal. Inclui as três esferas de poder (federal, estadual, municipal) e já ultrapassa 2 trilhões de reais.
2. - Paralelamente, o Banco Central vem operando o que chama de “Estoque de Operações Compromissadas”, com prazo máximo de 45 dias a 6 meses, “não contabilizadas pelo Tesouro Nacional”,como a caixa preta do PT.
Para 2010 o Banco Central calcula o saldo da balança comercial em 15 bilhões de dólares e as remessas de lucros e dividendos em 30,2 bilhões. Em 2009 o déficit do Brasil em transações correntes foi de 25 bilhões de dólares. O BC projeta para 2010 um déficit de 40 bilhões, podendo chegar a 55 bilhões. E o governo insistindo em que está tudo ótimo, às mil maravilhas.

 

Reinaldo

 

3 – O economista e professor da UFRJ, Reinaldo Gonçalves, diz:
“No governo Lula, a perda de posição do Brasil na economia mundial
é indiscutível. A evidência mostra que o desempenho da economia brasileira no período 2003-09 é medíocre pelos padrões históricos brasileiros e pelos padrões internacionais. No período de praticamente meio século, que vai de 1930 até 1979, a economia brasileira apresentou taxas de crescimento econômico de longo prazo significativamente elevadas”.
 

A CEPAL (Comissão Econômica para a América Latina) publicou que o Brasil apresenta entre 2003 e 2008 (governo Lula) as menores taxas de crescimento do PIB na região. Nosso crescimento foi de 27,41% no período. Enquanto a Argentina cresceu 63,5%, o Panamá 61,68%, o Uruguai 52,71%, o Chile 43,6%. Inferior ao Brasil, aparece o México, 19,80%.

 

ZE PEANUTS

O novo presidente do PT, José Eduardo Dutra, tem surpreendido os companheiros e jornalistas usando expressões inglesas nas entrevistas:
- "Nessa fase da pré-campanha, o gasto com aluguel, pessoal e deslocamento é peanuts". (Peanuts é amendoim, coisa pequena).
Em Sergipe, o Zé Eduardo mal fala português. Devem ter exigido dele que, para ser presidente do PT, precisa usar sempre uma pitada de inglês.

 

É o andar

 

O senador Gim Argello, suplente de Joaquim Roriz em Brasília, organizou na casa dele um jantar das bancadas do PTB no Senado e na Câmara para receberem a candidata Dilma Inácio da Silva.
Gim, vizinho de Dilma na península dos ministros em Brasília, caminha com ela todas as manhãs, como dois lépidos e arrulhantes passarinhos, e ficaram grandes amigos. Segundo as boas línguas de Brasília, as caminhadas em dupla têm deixado os dois sorrindo à toa e assoviando sozinhos..

 

Senadores

A eleição do Rio para o Senado vai ser uma guerra evangélica: Marcelo Crivella da Igreja Universal, Manoel Ferreira da Assembleia de Deus e Benedita da Silva da Igreja Pentecostal. E Cesar Maia? Sobrou o Santo Daime.

 

PCdoG

Surpreende-se o Ancelmo Gois, no "Globo", porque "um velho bar gay de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, fechou e vai virar sede do PC do B".
Novidade nenhuma. Para desespero póstumo de seus herois, o PC do B há muito tempo transformou-se em um partido andrógino: metade João Amazonas, metade Henrique Meirelles.

 

A juiza

O “Diário da Justiça” do Tribunal de Justiça de São Paulo publicou recentemente, na primeira pagina, com foto :
- “O TJSP divulgou nesta quarta feira, 24 de março, a lista de candidatos aprovados no 182º Concurso de Ingresso na Magistratura. No concurso, que teve mais de 11 mil inscritos, foram aprovados apenas 90 candidatos e a candidata Ana Rita de Figueiredo Nery, de apenas 27 anos, foi a primeira colocada na classificação geral”.
É minha filha.

 


Minas era assim

RIO – Na ditadura de Vargas, Dom José Gaspar de Afonseca e Silva, de Araxá, arcebispo de São Paulo (morreu em um desastre de avião sobre a Ilha Fiscal, na baia da Guanabara), publicou uma carta pastoral condenando a reforma do Código Civil que ia dar grande abertura para os divorciados.


Era secretário do Interior em Minas o José Maria Alkmim. A ordem do DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda), que comandava a censura, era que a pastoral de Dom José Gaspar só podia ser publicada na capital de São Paulo. Ninguém mais, nenhum jornal mais podia publicar.


O Alkmim foi visitar Dom José Gaspar, que lhe disse: - “Você não quer levar isso para o Edgar da Mata-Machado, que é o redator chefe de “O Diário”, jornal católico? Essa coisa de censura é um absurdo. Eu não posso mandar nem para a cidade mais próxima de São Paulo, Lá o padre não pode receber essa pastoral.” Alkmim disse: - “Eu levo.”

 


Alkmim

Alkmim chegou a Belo Horizonte, telefonou a Mata Machado, que foi à Secretaria do Interior, pegou a Pastoral, de lá foi para o Palácio Cristo Rei e contou a Dom Cabral, arcebispo de Belo Horizonte, que ia publicar.
- “Eu já sei da pastoral, já conversei com Dom José Gaspar, você tem jeito de publicar isso em “O Diário” sem o censor ver? - “Tenho.”
Naquele tempo, para imprimir o jornal, fazia-se o “flã”. Muitas vezes o censor lia as matérias no “flã”. Mata Machado fez um “flã” todo tranqüilo, com notícias de futebol. E fez outro, com o texto da pastoral.

 


Mata Machado


Chegou um delegado e falou com Mata Machado :
- “Você sabia que estava proibida a publicação dessa pastoral?”
- ”Sabia”. - “Pois é, o chefe gostaria de conversar com você”.
- ”Publiquei a pastoral por ordem do chefe”.
- “Ordem do chefe, como?”
- “Do meu chefe. Você tem um e eu tenho outro. Meu chefe é o arcebispo, que autorizou a publicação. O que eu posso fazer é dar um telefonema para o arcebispo e você conversa com ele”.
O delegado percebeu que não dava jeito.


Franzen de Lima

João Franzem de Lima dirigia “O Diário”. Procurou Dom Cabral:
- “Vou assinar o Manifesto dos Mineiros, pedindo a redemocratização do país, vai haver represálias. Então, venho pôr o cargo à sua disposição.”
- “O senhor só sai quando a assembléia decidir”. Apesar de ter assinado o Manifesto dos Mineiros, de 31 de outubro de 43, o professor João Franzen de Lima ficou na direção de “O Diário” até março de 1944, quando a assembléia dos acionistas aceitou sua renuncia.

 

Jornalistas


Uma comissão de jornalistas, da qual fazia parte o José Aparecido de Oliveira, convidou o redator-chefe de “O Diário”, José Mendonça, para ser candidato a presidente do Sindicato dos Jornalistas. Foi eleito por unanimidade, em chapa única, que tinha Cid Rebello Horta como vice-presidente, José Aparecido como diretor, José Frederico Sobrinho como secretário e o tesoureiro era Wagner Sachetto Gomes, editor de polícia do “Diário da Tarde” e redator da “Rádio Inconfidência”.
Fizeram a comunicação ao delegado do Trabalho, que disse que não podíam tomar posse enquanto não apresentassem atestado de ideologia, dado pela Delegacia de Ordem Politica e Social, afirmando que não participavam de nenhuma corrente totalitária, de direita ou de esquerda.


Sindicato

Ney Otaviani Bernis, presidente do sindicato, convocou uma assembléia e decidiram não apresentar o atestado. Uma funcionária do Ministério, dona Virgínia, telefonava quase todo dia pedindo que completassem o processo para tomar posse. Não apresentaram atestado nenhum. Marcaram a posse e até fizeram uma festa na Sociedade Mineira dos Engenheiros, no edifício do Automóvel Clube.
Era o começo do segundo governo Vargas, em 1951. Ministro do Trabalho, Danton Coelho, do PTB gaúcho. O ministro passava telegramas e mais telegramas insistindo na “regularização” do processo eleitoral. Finalmente, nomeou uma junta governativa que tinha José Mendonça como presidente, o Frederico secretário e o Wagner tesoureiro.
A assembléia se reuniu e respondeu que tínham sido eleitos para serem diretores e não interventores. Tomaram posse no sindicato, no edifício Mariana, na Avenida Afonso Pena. A atitude teve repercussão nacional, ficou conhecida como “a rebelião dos jornalistas mineiros”.
(Hoje, temos cinco bovinas Centrais Sindicais puxadas pela venta)


José Mendonça

Essas historias, e tantas mais, estão em um livro que é um retrato da imprensa mineira depois dos anos 30: - “José Mendonça, a Vida Revelada”, de Flavio Friche, Manoel Marcos Guimarães e Maria Auxiliadora de Faria (Editora da UFMG), contando a vida de um cidadão exemplar e jornalista modelo, culto e brilhante, líder de sua geração e meu mestre de jornal.
Formado no Seminário de Diamantina, professor de português, latim, francês, historia, jornalismo, diretor de “O Diário” e das sucursais de “O Globo” e “Folha”, José Mendonça ainda fez Direito, fundou e dirigiu o Departamento de Comunicação da Universidade Federal. Com 93 anos, continua um surpreendente jovem dentro da vida cultural de Minas.


 

Comentários

► comentar esta matéria

Um homem do poder

  • Enviar por email
  • Enviar por email
  • Enviar por email

Email que receberá a matéria:

09/04/2010 - Por Sebastião Nery

"Em 1965, participei da vitoriosa campanha de Francisco Negrão de Lima ao governo do Rio. Além de me ligar a um brasileiro notável, exemplar, aprendi a conviver com pessoas de pensamento diferente do meu, a respeitar e fazer de muitos deles amigos para toda a vida, como Yara Vargas, Fabiano Vilanova, Carlos Chagas, Sérgio Guimarães, Hércules Correa".


"Negrão foi apoiado pelas forças janguistas e por toda a esquerda, mas era homem de centro, do PSD, que manteve as melhores relações com os presidentes militares Castelo Branco, Costa e Silva e Médici, ao longo de seu mandato. Com grandes ganhos para o Rio de Janeiro. Ele e Lacerda, seu adversário, foram os dois melhores gestores do Estado da Guanabara".

 

Brizola

"Curioso é que a carta de apoio de Leonel Brizola a Negrão foi a ele levada por mim, numa noite, na semana da disputada eleição. É que eu era muito amigo, numa relação de intenso carinho, da doce Nelma Correa Quadros, que veio a ser a famosa "Nelminha do Pasquim", que tinha uma amizade especial, digamos, com o caudilho".
"Ela foi a portadora e eu fui ao velho Galeão buscá-la de sua viagem a Montevideu. De lá, fomos direto à casa de Negrão. Ele abriu, leu e nos disse:


- "Pelo horário, não vamos telefonar para ninguém e seremos os únicos a dormir sabendo que a vitória agora está garantida. Boa noite, obrigado".

 

Aristoteles

 

Essa surpreendente, autentica e primorosa historia é contada por um homem do poder, pelo poder, para o poder, o jornalista Aristoteles Drummond, que lançou quinta feira um livro imperdivel - "Um Conservador Integral" (Editora Armazem de Ideias, Belo Horizonte), que poderia chamar-se "Um Conservador e Conversador Integral - 1964,Antes, Durante e Depois".


A bela noite, com inexaurível fila de amigos e fãs, que esperamos horas por um autografo nas centenas de exemplares, foi em local muito apropriado : o belo, bem cuidado, secular, outrora ameaçador e agora inofensivo Forte de Copacabana, cercado de aposentados canhões e do mar azul do Rio.


Brizola, perseguido, cassado e caçado, exilado, apenas um ano depois do golpe militar decidiu a eleição no Rio, derrotando o guru, mentor e autor intelectual do golpe, Carlos Lacerda, e seu candidato Flexa Ribeiro.

 

Itamar

E há muitas outras memoráveis historias, muito interessantes.
- "Em fevereiro de 1993, quando eu era diretor da Light (desde Figueiredo, com breve interrupção no início do governo Sarney), Itamar Franco, então presidente da República, resolveu colocar na presidência da empresa o general Ângelo Barata, que estava passando para a reserva".


"Naquela semana, segui para Lisboa, onde ficaria até o aniversário de José Aparecido, que era embaixador em Portugal, mas estava no Brasil. Meu dedicado assessor, Alberto Muller, telefonou e me informou que a Assembleia Geral (da Light) estava em aberto e circulavam rumores de que eu poderia deixar de ser diretor da Light. Telefonei a PCO (o experiente e competente jornalista mineiro Paulo Cesar de Oliveira) que soube por José de Castro que, realmente, havia tido problemas, mas que estava resolvido".


O general

"Na verdade, uma bem urdida intriga havia levado o general - que, teoricamente, deveria me prestigiar por toda uma vida de exaltação aos militares - a vetar minha permanência na diretoria, "pois estava lá havia muito tempo e ele não teria o controle com minha presença ali". Uma bobagem! Depois, alegou que precisava do cargo para um coronel amigo".


"Eliseu Rezende , que presidia a Eletrobrás, contemporizou, sugerindo que eu passasse para a Diretoria Financeira, que era, normalmente, de um indicado pela holding. O general, então, explicitou o veto. José de Castro (Consultor Geral da Republina no governo Itamar Franco) e José Aparecido deram a reunião, na sala de Itamar (no palácio do Planalto) , por encerrada".


"Retiraram o general do gabinete presidencial e ficaram de lhe dar notícia posterior (com a publicação de sua nomeação no Diário Oficial) que, segundo sei, aguarda até hoje. Homem de outras qualidades, Joaquim Mac Dowell permaneceu no cargo até a privatização. Naquele 17 de fevereiro, comemoramos em Lisboa o aniversário do Zé e a nossa vitoria"

 

1964

Bisneto da rua, da grande avenida de Belo Horizonte Augusto de Lima, presidente de Minas em 1891 e da Academia Brasileira de Letras, neto do historiador Augusto de Lima Junior, Aristoteles carrega a historia no sangue. A historia e o gosto, o sabor do poder. Não conheço ninguem que mais ardorosamente defenda e cultive o golpe militar de 1964 e seus ditadores.


Em 1962, com 18 anos, já presidia o GAP (Grupo de Ação Patriotica), um CCC (Comando de Caça aos Comunistas), para os pirralhos estudantes secundários. Em março de 64 conseguiu dois ônibus para levar um comboio de ginasianos para a passeata das malamadas do padre Peyton, a Marcha da Família, em São Paulo. Onibus de Paulo Suplicy, pai do senador Suplicy.
Leiam o livro do Aristoteles. É ele inteiro, grafitado.

Comentários

► comentar esta matéria

Um homem do poder

  • Enviar por email
  • Enviar por email
  • Enviar por email

Email que receberá a matéria:

26/03/2010 - Por Sebastião Nery

RIO - "Em 1965, participei da vitoriosa campanha de Francisco Negrão de Lima ao governo do Rio. Além de me ligar a um brasileiro notável, exemplar, aprendi a conviver com pessoas de pensamento diferente do meu, a respeitar e fazer de muitos deles amigos para toda a vida, como Yara Vargas, Fabiano Vilanova, Carlos Chagas, Sérgio Guimarães, Hércules Correa".
"Negrão foi apoiado pelas forças janguistas e por toda a esquerda, mas era homem de centro, do PSD, que manteve as melhores relações com os presidentes militares Castelo Branco, Costa e Silva e Médici, ao longo de seu mandato. Com grandes ganhos para o Rio de Janeiro. Ele e Lacerda, seu adversário, foram os dois melhores gestores do Estado da Guanabara".

 


Brizola

 

"Curioso é que a carta de apoio de Leonel Brizola a Negrão foi a ele levada por mim, numa noite, na semana da disputada eleição. É que eu era muito amigo, numa relação de intenso carinho, da doce Nelma Correa Quadros, que veio a ser a famosa "Nelminha do Pasquim", que tinha uma amizade especial, digamos, com o caudilho".
"Ela foi a portadora e eu fui ao velho Galeão buscá-la de sua viagem a Montevideu. De lá, fomos direto à casa de Negrão. Ele abriu, leu e nos disse:
- "Pelo horário, não vamos telefonar para ninguém e seremos os únicos a dormir sabendo que a vitória agora está garantida. Boa noite, obrigado".


Aristoteles

Essa surpreendente, autentica e primorosa história é contada por um homem do poder, pelo poder, para o poder, o jornalista Aristoteles Drummond, que lançou um livro imperdível - "Um Conservador Integral" (Editora Armazem de Ideias, Belo Horizonte), que poderia chamar-se "Um Conservador e Conversador Integral - 1964,Antes, Durante e Depois".
A bela noite, com inexaurível fila de amigos e fãs, que esperamos horas por um autografo nas centenas de exemplares, foi em local muito apropriado : o belo, bem cuidado, secular, outrora ameaçador e agora inofensivo Forte de Copacabana, cercado de aposentados canhões e do mar azul do Rio.
Brizola, perseguido, cassado e caçado, exilado, apenas um ano depois do golpe militar decidiu a eleição no Rio, derrotando o guru, mentor e autor intelectual do golpe, Carlos Lacerda, e seu candidato Flexa Ribeiro.


Itamar

 

E há muitas outras memoráveis histórias, muito interessantes.
- "Em fevereiro de 1993, quando eu era diretor da Light (desde Figueiredo, com breve interrupção no início do governo Sarney), Itamar Franco, então presidente da República, resolveu colocar na presidência da empresa o general Ângelo Barata, que estava passando para a reserva".

"Naquela semana, segui para Lisboa, onde ficaria até o aniversário de José Aparecido, que era embaixador em Portugal, mas estava no Brasil. Meu dedicado assessor, Alberto Muller, telefonou e me informou que a Assembleia Geral (da Light) estava em aberto e circulavam rumores de que eu poderia deixar de ser diretor da Light. Telefonei a PCO (o experiente e competente jornalista mineiro Paulo Cesar de Oliveira) que soube por José de Castro que, realmente, havia tido problemas, mas que estava resolvido".

 

O general

"Na verdade, uma bem urdida intriga havia levado o general - que, teoricamente, deveria me prestigiar por toda uma vida de exaltação aos militares - a vetar minha permanência na diretoria, "pois estava lá havia muito tempo e ele não teria o controle com minha presença ali". Uma bobagem! Depois, alegou que precisava do cargo para um coronel amigo".
"Eliseu Rezende , que presidia a Eletrobrás, contemporizou, sugerindo que eu passasse para a Diretoria Financeira, que era, normalmente, de um indicado pela holding. O general, então, explicitou o veto. José de Castro (Consultor Geral da República no governo Itamar Franco) e José Aparecido deram a reunião, na sala de Itamar (no palácio do Planalto) , por encerrada".
"Retiraram o general do gabinete presidencial e ficaram de lhe dar notícia posterior (com a publicação de sua nomeação no Diario Oficial) que, segundo sei, aguarda até hoje. Homem de outras qualidades, Joaquim Mac Dowell permaneceu no cargo até a privatização. Naquele 17 de fevereiro, comemoramos em Lisboa o aniversário do Zé e a nossa vitoria"


1964

Bisneto da rua, da grande avenida de Belo Horizonte Augusto de Lima, presidente de Minas em 1891 e da Academia Brasileira de Letras, neto do historiador Augusto de Lima Junior, Aristoteles carrega a historia no sangue. A historia e o gosto, o sabor do poder. Não conheço ninguém que mais ardorosamente defenda e cultive o golpe militar de 1964 e seus ditadores.
Em 1962, com 18 anos, já presidia o GAP (Grupo de Ação Patriotica), um CCC (Comando de Caça aos Comunistas), para os pirralhos estudantes secundários. Em março de 64 conseguiu dois onibus para levar um comboio de ginasianos para a passeata das malamadas do padre Peyton, a Marcha da Família, em São Paulo. Onibus de Paulo Suplicy, pai do senador Suplicy.
Leiam o livro do Aristoteles. É ele inteiro, grafitado.

 

PT racha o cofre

RIO - Tobias passou a vida cercado do amor da mulher e do carinho dos amigos, que recebia muito bem, em Araxá.
Um dia, Tobias morreu. De São Paulo, uma caravana de amigos foi para o enterro : Rubem Catan, Bartolomeu Barbosa, Wander Godoy, Americo Marques da Costa, Artur Andrade Filho, José Paulo Freire.
Chegaram lá, a viúva inconsolável, de preto até os pés. Cotizaram-se, mandaram fazer um busto de Tobias em peroba e deram à viúva para ele continuar naquela mesma sala onde recebia os amigos de Minas e São Paulo. E a viúva, inconsolável, de preto até os pés, punha diariamente rosas vermelhas no túmulo de Tobias no cemitério e no busto de Tobias na sala.

 

Tobias

O tempo foi passando e uma tarde, saindo do cemitério, a viúva pegou uma carona do professor, jovem letrado que tinha chegado a Araxá para ensinar no ginásio. O professor levou-a até à porta. Outro dia, outra carona, de novo até à porta. Depois, até à sala. Uma manhã, foi visitá-la.
Uma noite, mais uma visita rápida. Até que outra noite demorou um pouco mais. A viúva chamou a empregada:
- Maria, passa um café para nós!
- Não tem lenha.
- Racha o Tobias!
Maria rachou o Tobias.

BANCOOP

O promotor José Carlos Blat, da Primeira Promotoria Criminal da Capital (São Paulo) declarou oficialmente, por escrito :
- "A Bancoop (Cooperativa do Sindicato dos Bancários de São Paulo) é hoje uma organização criminosa, cuja função principal é captar recursos para a caixa 2 do PT e que ajudou a financiar inclusive a campanha de Lula à Presidência em 2002".
Onde há dinheiro publico, o PT racha o Tobias. Racha o cofre!

Dirceu

Já ouvimos outras definições iguais. O bravo ex-Procurador-Geral da República, Fernando de Souza, disse diante do Supremo Tribunal Federal que o Mensalão era "uma organização criminosa" e o "chefe da quadrilha" era o ex-deputado, ex-ministro e atual lobista José Dirceu.
Na mesma reunião do Supremo Tribunal, uma noite memoravel, inesquecivel, o magistral relator do processo do Mensalão no Supremo, ministro Joaquim Barbosa, repetiu uma a uma as definições do Procurador Fernando de Souza :
- O Mensalão é uma organização criminosa, uma quadrilha chefiada pelo ex-deputado José Dirceu
Onde há dinheiro publico, o PT racha o Tobias. Racha o cofre!


VACCARI

Não pode ser só coincidência. O tesoureiro-politico das campanhas de Lula sempre foi José Dirceu. O Delubio Soares era apenas o contador, o "não contabilizador" do dinheiro. O angelico José Genoino assinava as maracutaias. Agora, quem o PT escolheu para tesoureiro-mor do partido e da campanha da Dilma? Exatamente o Vaccari Neto, capitão de longo curso do assalto à Bancoop, com todo seu pedigree no rombo-roubo de milhões.
Onde há dinheiro publico o PT racha o Tobias. Racha o cofre!

 

Bastos

 

A Dilma, quem diria, aprendeu rápido. Já sabe que veredas vai percorrer. Informa o Anselmo Gois, no "Globo", que "o ex-ministro da Justica Marcio Thomaz Bastos, mesmo sem ser um especialista em legislação eleitoral, vai comandar a área jurídica da campanha de Dilma".
Onde há PT há crimes públicos. A Dilma já começou a se proteger. Convocou o respeitado e dos maiores criminalistas do pais, se não o maior.
Onde há dinheiro publico o PT racha o Tobias. Racha o cofre!

Loyola

Quando sai para o assalto, o PT não vê cara. Não foram apenas os infelizes bancários aposentados que foram tungados pelo PT do Vaccari Neto.
Até o grande jornalista e escritor brasileiro Ignacio de Loyola Brandão caiu na arapuca do tesoureito-chefe do PT e da campanha de Dilma, o Vaccari Neto.
Em carta à revista "Veja", o Loyola conta, indignado, roubado:
- "Minha alma foi lavada com a reportagem "A Casa Caiu", de 10 de marco, sobre a Bancoop, que me confiscou 100 mil reais, pagos por meio de boletos, em tres anos. O apartamento que comprei não saiu do 7 piso na rua Bela Cintra, em São Paulo. Jamais conseguimos marcar uma audiencia com o Vaccari Neto. Ele é de uma arrogância impar. Algumas reuniões dos cooperados eram desesperadoras, tristes. Havia velhos que jogaram tudo que tinham economizado, sacaram fundo de garantia e ficaram sem nada. Continuo a receber boletos me cobrando quantia semelhante à que coloquei no saco sem fundo da Bancoop, ameaçando não de despejo, mas de processo".
E a Dilma escolhe um salteador para tesoureiro de sua campanha.


 

Comentários

► comentar esta matéria

A múmia assassina

  • Enviar por email
  • Enviar por email
  • Enviar por email

Email que receberá a matéria:

04/03/2010 - Por Sebastião Nery

RIO – Logo depois da fascinante vitoria da Revolução Cubana, em 1959, saudada por todos nós como um hino à democracia e à liberdade, contra a brutal ditadura do sátrapa Fuilgêncio Batista, Fidel Castro esteve no Rio. Vasco Leitão da Cunha, embaixador do Brasil em Cuba, lhe ofereceu um banquete. Estava lá todo o society carioca, deslumbrado com o enorme charuto e a engomada farda verde de Fidel. De repente, aproxima-se dele um homem gordo e vermelho: - Senhor primeiro-ministro, só não lhe perdôo os fuzilamentos em Cuba. - Pois posso assegurar ao senhor que só fuzilamos ladrões dos dinheiros públicos e caftens. O homem gordo e vermelho ficou ainda mais vermelho. Era Adhemar de Barros.

 

Fidel

Quarta-feira, diante de um Lula excessivamente barrigudo e de um Franklin Martins mal contendo uma polução diurna, o sargentão Raul Castro mentiu descaradamente contra uma verdade que o mundo todo sabe: - “Meu governo e o de Fidel jamais mataram ou torturaram opositores. Em meio século, aqui não assassinamos ninguém. Ninguém foi torturado. Aqui não houve nenhuma execução extra-oficial” (Folha). A Europa está cheia de exilados cubanos fugidos das torturas e dos assassinatos políticos da ditadura troglodita dos irmãos Fidel e Raul.

 

Zapata

Membro do Comitê Pela Cidadania Interracial, o cubano Manuel Cuesta disse de Havana, quinta-feira, a Cristina Azevedo, de “O Globo” : 1. – “O fato de Orlando Zapata Tamayo ser negro influiu nos maus-tratos e no tratamento médico precário que recebia na prisão. A mãe dele diz que ele foi torturado. Ele apanhou muito porque era um prisioneiro rebelde. Aqui os presos não podem protestar”. 2.- “Uma vez Zapata teve que ser operado devido aos golpes que sofreu no Centro Carcerário de Holguin. Além disso, enfrentou uma condição muito difícil nas prisões. Um local para 30 pessoas abriga 80, 100. A alimentação esta sendo difícil para todos os cubanos, imagine para os presos. Eles não recebem assistência médica adequada”. 3. – “O governo não deixa que organismos internacionais visitem as prisões. E por isso é difícil que as penitenciárias recebam assistência de agências humanitárias. O governo não reconhece os presos políticos. São mais de 200 hoje sem processo judicial, sem acusação formal. Só porque se declaram contra o governo. São os chamados presos de consciência”.

 

Lula

Na penúltima vez em que esteve em Cuba, meses atrás, Lula encontrou Fidel estirado numa cama, de olhos fechados, sem falar nada, sem responder às perguntas, apenas ouvindo e às vezes sorrindo. Lula voltou impressionado e disse na primeira reunião no Palácio do Planalto: - Sai de lá certo de que não o verei mais. Está uma casquinha. Agora, Lula voltou e encontrou a casquinha de pé, falando, conversando, um crespo cascão. Cuba e todos os democratas e defensores dos direitos humanos no mundo esperam que, da próxima vez em que Lula for a Cuba, o cascão de Havana já seja apenas uma múmia assassina.

 

Fadul

Agora, falemos de um democrata. Hoje à noite, na rua Peri, 91, Rio, Jardim Botânico, os amigos se encontram com os três últimos ministros do ex-presidente João Goulart: Wilson Fadul (Saúde), Almino Afonso (Trabalho e Previdência) e Waldir Pires (Consultor Geral da Republica). O dono da festa é Wilson Fadul e seus 90 anos, completados nesse 4 de fevereiro ultimo. Fluminense de Valença, no Estado do Rio, filho de comerciante libanês estabelecido em Minas, estudou em Providencia e Leopoldina (MG), no Colégio Universitário do Rio, formou-se na Faculdade Fluminense de Medicina e trabalhou na Santa Casa do Rio.

 

Ministro   Entrou para a Aeronáutica e foi servir em Campo Grande, Mato Grosso. Em 1950 já era vereador pelo PTB e presidente da Câmara Municipal. De 1953 a 55 prefeito da cidade e em 1956 deputado federal. Em 60, candidato a governador, sempre pelo PTB, perdeu para Francisco Correa da Costa, da UDN. Em 62, novamente deputado federal. Em 1963, substituiu o mineiro Paulo Pinheiro Chagas no ministério da Saúde, onde fez uma pesquisa sobre a desnacionalização da industria farmacêutica (95% estrangeira), exigindo a uniformização dos preços em todo o pais, obrigando os laboratórios a marca-los nas embalagens. Na briga entraram o notório embaixador dos Estados Unidos, Lincoln Gordon, e o embaixador do Brasil em Washington, Roberto Campos.

 

Jango

Homem publico exemplar, integro e inatacável, Fadul foi demitido do ministério de Jango pelo golpe militar de 1964 logo no dia 4 de abril, e teve cassados o mandato e os direitos políticos pelo Ato Institucional nº 1. Anistiado em 79, candidatou-se ao governo de Mato Grosso do Sul (os dois Estados já estavam separados), pela legenda do PDT, perdendo para Wilson Martins, do PMDB. De 84 a 87, diretor do BANERJ (Banco do Estado do Rio de Janeiro), no primeiro governo de Leonel Brizola.

 

Milagre de São Dirceu

Meia-noite, restaurante do Aeroporto Internacional do Galeão, no governo Geisel. O ministro da Agricultura, Alysson Paulinelli, jantava com dois assessores, esperando o DC-10 da Varig, atrasado, que o levaria a Roma para uma reunião da FAO (Fundação da ONU para Alimentação). Chegam dois senhores, sentam-se numa mesa próxima. Um, grande, moreno, forte, alto, narigudo, olhos negros, cara de libanês, calça cinza, pulôver azul. O outro, miúdo, branco, baixo, magro, cara de turco, narizinho de lebre, olhinhos espertos de ratinho de laboratório escondidos atrás dos óculos míopes, terno azul, gravata azul, elegante.

 

Atala

De repente, o miúdo vê o ministro Paulinelli, pega o braço do grande, mostra, diz-lhe qualquer coisa ao ouvido. O grande olha, espia, levanta-se, dá um giro, passa bem em frente à mesa do ministro, tenta ser visto, não foi, volta, senta-se. O miúdo pega de novo no braço do grande, diz-lhe mais coisas ao ouvido. O grande se levanta, todo desconfiado, chega à mesa do ministro, atropela a conversa: - Ministro, o senhor vai neste vôo na Varig que está atrasado? Então nos veremos lá. Quero conversar com o senhor, teremos tempo.

 

Buzaid

O grande volta, senta-se. O miúdo, feliz, pega no braço dele, pisca os olhinhos espertos, tamborila os dedos alegres na toalha da mesa. O alto-falante chama, levantam-se todos. Para Roma. O ministro não conversou com os dois em Roma. Disse-lhes que pedissem audiência em Brasília, porque assuntos do Brasil deviam ser tratados no Brasil. O grande era o empresário Jorge Atala, da Copersucar em São Paulo. O miúdo era o ex-ministro da Justiça do presidente Médici, o lobista Alfredo Buzaid.

 

Dirceu

 

Terça-feira, em duas grandes manchetes de pagina inteira, no primeiro caderno e no Caderno Dinheiro da “Folha de S. Paulo”, os jornalistas Marcio Aith e Julio Wiziack revelaram uma historia buzaideana, desvendando mais um dos mistérios financeiros do grande lobista do tráfico de influencia na Republica do Mensalão, José Dirceu : 1.- “Dirceu Recebe de Empresa por Trás da Telebrás”. 2. - “Petista foi Contratado Por ao Menos R$620 mil, que já recebeu da Empresa Beneficiada com Reativação da Estatal de Telecomunicações”. 3. – “Empresa nas Ilhas Virgens comprou por R$1 rede de fibras óticas que será usada por Telebrás e pode ganhar R$200 milhões”. De repente o governo anunciou que ia reestatizar a Telebrás. Ninguem entendeu por que. Agora se sabe. Milagre de São Dirceu. Segundo o presidente do PTB Roberto Jefferson. o PT era o “Partido da Boquinha”. Agora a “Folha” nos conta que é o “Partido do Bocão”.

 

Banco Central

Um dia, escrevi aqui que o Banco Central era o Sindicato dos Banqueiros. O então presidente do BC, Gustavo Loyola, velho sacristão de banqueiros, escondido atrás de sua turva barba, me processou.Deu em nada. Agora, leio nos jornais: 1. – “Em clima de despedida, o diretor de Política Monetária do BC, Mário Mesquita, comandou, em São Paulo, possivelmente a sua última bateria de reuniões para discutir inflação com os economistas de bancos”. 2. – “Sem confirmar que deixará o BC, Mesquita agradeceu a colaboração dos colegas nas reuniões que se tornaram “termômetro” do mercado em relação à inflação e à política de juros. Havia um consenso de que os juros precisarão (sic) subir em março ou abril. Mesquita procurou não transparecer sua opinião sobre o assunto. Também participou das discussões o presidente do BC, Henrique Meirelles” (Folha). Se isso não é um sindicato, é coisa pior. É um condominio.

 

Lulismo

No Palácio do Planalto e no PT ele é conhecido como “Chico Singer”. Chico Campos foi o ideologo do “getulismo” no golpe do Estado Novo de 1937. O ex-porta-voz de Lula na Presidência da República, André Singer, com seus inconfundiveis e germânicos olhos verdes, meteu-se a ser o grande teórico do “lulismo”, o cordão dos puxa-sacos políticos de Lula. O rapaz é audacioso como seu velho mestre, o fascista da “Constituição de 37. Em longa entrevista à revista “Época”, ele sonha : - “O Lulismo Pode Durar 30 Anos, como uma força política hegemônica por décadas”. O nome disso é fascismo. Ele defende freneticamente o Lulismo,como um novo Mussolinismo, Peronismo, Somosismo, Getulismo, Fujimorismo,Chavismo,qualquer ismo.

 

Tony Blair

 

O governador do Rio Sérgio Cabral, sem revelar os números do estranho e secreto negócio, contratou o ex-primeiro-ministro da Inglaterra, Tony Blair, pivete de recados de Bush, para “assessor” das Olimpíadas de 2016 no Rio. Quem o conhece bem é Mario Soares, o estadista que comandou Portugal da ditadura para a democracia. Em entrevista à consagrada repórter Débora Berlinck, no “Globo” de segunda, disse : 1. - “O socialismo de Tony Blair era uma grande vigarice. A sua Terceira Via não tinha consistência nenhuma”. 2. – “Escolheram dois imbecis como dirigentes para a Europa : o belga Herman Van Rompuy e a senhora inglesa Catherine Ashton”.

 

Comentários

► comentar esta matéria

Assim falou Mão Santa

  • Enviar por email
  • Enviar por email
  • Enviar por email

Email que receberá a matéria:

25/02/2010 - Por Sebastião Nery

O nome dele era Francisco. O nome do adversário, Átila. Ele ia para as praças, subia nos palanques e começava seu discurso :
- Eu sou de Deus e sou do povo. Meu nome é Francisco. Um nome de santo. Quem tem aí o nome de Francisco levante a mão.
E muita gente levantava o braço. Ele continuava :
- E quem tem um irmão, um parente, um amigo, com o nome de Francisco, levante a mão.
E um número maior ainda levantava o braço. Aí ele dava o bote :
- E quem tem aí o nome de Átila levante o braço.
Ninguém levantava. Silêncio total. E ele continuava, aos berros:
- Não tem Átila aqui não. Não tem em lugar nenhum. Só no inferno!


Francisco e Átila

Ele completava :
- Todos aqui conhecem a história do nosso glorioso São Francisco. E quem conhece a história do Átila? Foi o rei dos Hunos, dos Bárbaros. Seu cavalo era tão amaldiçoado que onde pisava não nascia mais nem capim. A Deus o que é de Deus e ao diabo o que é do diabo. Francisco, o nosso São Francisco, é de Deus. Átila é do Diabo. Eu sou de Deus. Meu nome é Francisco. O povo generoso de minha terra me chama de Mão Santa. Mas eu não faço milagres. Minhas mãos são guiadas por Deus para fazer o bem.
E foi assim que Francisco de Assis de Morais Sousa, o Mão Santa, se elegeu governador do Piauí em 1994, no PMDB, pela oposição, derrotando as poderosas oligarquias reunidas em torno do deputado Átila Lyra do PFL


Médico

Prefeito de Parnaíba, deputado estadual, duas vezes governador, senador, Mão Santa faz política com as milagrosas mãos de clínico e cirurgião geral, operando o povo doente, e com a tonitroante voz que o fez completar há pouco o milésimo discurso da tribuna do Senado.
Filho de professores e de mãe poetisa da Academia de Letras de sua terra, estudou Medicina, fez concursos para Residências Hospitalares em Fortaleza e no Rio, sempre tirando o primeiro lugar, e passando anos cuidando do povo na Santa Casa de Misericórdia de Parnaíba, onde ganhou o apelido de um lavrador do interior do Maranhão, por ele operado:
- “O médico era um doutor das mãos santas”.


Zozimo

Essas histórias, e tantas outras, estão em um delicioso livro (“Atentai Bem, Assim Falou Mão Santa”) do consagrado jornalista, escritor e professor de Comunicação e Lingüistica Zozimo Tavares, editor-chefe “Diário do Povo”, de Teresina, que vim lendo no avião, do Rio para cá.
A imagem excessivamente folclórica que a imprensa do sul do pais tentou criar dele não é inteiramente justa. Folclórico ele é, mas não só. Linguagem folclórica ele usa, mas não só. Brilhante, lido, Mão Santa cita a Bíblia, os clássicos e os grandes lideres mundiais para calçar o que diz.

Cristo

1. – Romeu Tuma, presidindo uma sessão do Senado, prorrogou-a por “cinco minutos para V. Excia terminar seu discurso”.
- “É o suficiente. Cristo fez o Pai Nosso em menos de um minuto”.

2. – Quando o PT começou a ameaçar expulsar a brava senadora Heloisa Helena do partido, ele improvisou um aparte bíblico:
- “Os homens fraquejam, mas não as mulheres. Pilatos, que foi governador como eu, lavou as mãos com Cristo. Fraquejaram também Anás, Caifás, o pai de Cristo, José. Onde estava José? Pedro negou três vezes. Todos aqueles apóstolos foram escolhidos a dedo. E todos fraquejaram. Só um homem o ajudou, que foi o Cirineu”.

Mulheres

3. - “Os homens fraquejaram, mas não as mulheres. A mulherzinha de Pilatos, a Adalgisinha dele, disse-lhe : - “Não faça isso com Cristo! O homem é gente boa, eu vi”. Depois, Verônica estava enxugando o rosto de Cristo. Estavam lá as três Marias. E a coragem dessas mulheres históricas está aqui representada na senadora Heloisa Helena”.

4. - De improviso, criticava o baixo salário nacional dos médicos :
- “Além do apóstolo Lucas, que era médico, o próprio Cristo atuou como médico ao operar milagres: quando fez um cego enxergar, Cristo foi oftalmologista; ao curar um surdo-mudo, foi otorrinolaringologista; quando limpou os corpos dos leprosos, foi um dermatologista; foi um ortopedista quando colocou o aleijado para andar; e foi até mesmo um grande psiquiatra quando tirou o demônio dos endemoniados”.

Lula

5. - Ataca a corrupção no governo Lula :
- “As capas das revistas só tratam de corrupção. Toda semana tem sido assim. Tenho saudades da minha mocidade, quando as capas das revistas tinham era fotos da miss Marta Rocha”.
Acima de qualquer coisa está o seu Piiiauiii :
- “O Piauí não vai ficar esperando sempre a vontade de São Pedro. São Pedro só manda chuva quando quer. Ele não é nada confiavel. Não agiu direito nem com o Cristo, que negou tres vezes”.
- “Já que o presidente Lula nunca lerá a Constituição, devia ler ao menos os 10 Mandamentos, que são a Constituição de Deus”.
-”Três coisas a gente só faz uma vez: nascer, morrer e votar no PT”.


Procurando Tonico

MACEIÓ – Coronel Rodrigues era chefe político de Penedo, cidade histórica aqui de Alagoas, nas barrancas do São Francisco, perto de onde o rio mergulha no mar. Coronel dos de antigamente: bom sujeito, boa prosa, bom garfo. E tinha o filho Tonico, menino levado que passava o dia jogando sinuca no bar da praça, mas era seu orgulho.
Um dia, Tonico virou a cabeça e sumiu atrás de uma trapezista do Circo Garcia. Seu Rodrigues quase morre de desgosto. Não saía, não jogava mais biriba com os amigos, triste e amuado em casa, como um boi velho. Três anos depois, seu Rodrigues recebeu a notícia: Tonico tinha morrido em um desastre em Goiás. Entrou no quarto, passou um dia e uma noite chorando de saudade e magoa e deixou pra lá.

Penedo

O tempo passou, todo mundo esqueceu, Tonico não era mais assunto em Penedo. O velho coronel de quando em vez ia buscar atrás da cômoda o retrato do menino ingrato, que ganhara o vão do mundo com a trapezista loura de pernas grossas e recebera seu castigo na curva da estrada.
De repente chega do Rio um amigo:
- Coronel Rodrigues, vi o Tonico lá. Era ele mesmo. Conversei com ele, não volta porque tem vergonha. Nem o endereço quis dar.
O coronel dormiu duas noites de olho aberto, vendo a cara envergonhada de seu menino fujão. Arrumou a mala, pegou o ônibus.

Coronel

Passou dias e noites na estrada para o Rio. Desceu na rodoviária, aquele mundão de gente. Estava tonto e perdido. Viu um guarda:
- Seu guarda, o senhor sabe onde mora Tonico Rodrigues, de Penedo?
- Sei, sim. Na rua Senador Pompeu, na mesma pensão em que moro.
- Me leva lá que Tonico deve estar sem dinheiro para pagar a pensão. Já faz uns dias que ele sumiu de Penedo.

 

Governador

Alagoas está procurando um governador como o coronel Rodrigues procurou seu Tonico. Já sem esperança. Todo mundo quer ser senador. Governador, ninguém. O governador Teotônio Vilela filho é candidato à reeleição por dever de oficio. Se não disputasse mais quatro anos, estaria dando argumentos à oposição que o acusa de não gostar de trabalhar.
O prefeito de Maceió, Cicero Almeida, depois de uma administração consagradora, gostaria mesmo era de ser senador. Mas todo mundo o está empurrando para enfrentar o governador e lhes deixar as vagas do Senado.
Ele tem medo do interior, porque, além da capital, não tem bases municipais.
E até agora não apareceu mais ninguém para disputar o palácio.

 

Senado

Já para o Senado é uma fieira de gente. São duas vagas e logo de saída há duas candidaturas quase com direito adquirido : o senador Renan Calheiros, chefe do partido mais forte do Estado, com maior número de prefeitos e vereadores, o PMDB, e a ex-senadora Heloisa Helena, com o menor dos partidos, nacionalmente e no Estado, mas com sua poderosa e flamejante liderança, que amedronta os demais possíveis candidatos.
E os demais são muitos demais para duas vagas só: o ex-governador Ronaldo Lessa, vindo de dois conturbados mandatos, mas que de qualquer modo deixaram seu nome plantado na memória popular; o ex-senador e ex-deputado João Lyra, o homem mais rico do Estado, derrotado na última eleição mas determinado a disputar de qualquer maneira; o deputado Benedito de Lyra, presidente de partido e muito sólido no interior; o senador João Tenório, suplente e cunhado do governador; e candidatos do PT, do PC do B, do DEM e de outros partidos fracos no Estado.

 

Collor

E resta o grande enigma, Fernando Collor. Já senador, com mais quatro anos de mandato, evidentemente não sairá para o Senado. É a pedra da vez para o governo, com um governador desgastado e um prefeito sem nome estadual. Mas ninguém sabe se Collor vai querer entrar nessa briga, com um Estado tumultuado, humilhado, dividido, sem dinheiro, sem sonhos.
Até onde conheço a política de Alagoas e a garra de Collor, ele pode repetir 2006. Ficar fora da campanha, deixar todo mundo se esguelar, se desgastar, se sangrar, e, na última hora, no ultimo mês, sair candidato a governador atropelando tudo, só “ele e o povo contra o resto”.
Foi exatamente o que fez em 2006 para o Senado. João Lyra dormiu eleito, quando acordou Collor havia ganho a eleição, numa disparada de exatamente 28 dias em cima de um helicóptero, visitando todas as cidades, todos os grandes distritos, passeatas e comícios todo dia, toda noite.
Alagoas está esperando seu governador como o coronel Rodrigues esperava seu Tonico. Já quase sem esperança, mas sempre com esperança.

 

“A NUVEM”

Livro é como boi no pasto ou banana na feira. O dono tem que cuidar. Continuo minha maratona nacional lançando meu último livro, “A Nuvem, o Que Ficou do Que Passou – 50 Anos de Historia do Brasil”.
Em um mês só, o de dezembro, a primeira edição acabou. A segunda edição já está em todas as livrarias. Afinal fiquei livre da pressão e justas reclamações de amigos e leitores, que procuravam e não encontravam.

 

Comentários

► comentar esta matéria

1

Juarez C. Néry, em 12/04/2010

Caríssimo Sebastião Nery, bem vindo a Belo Horizonte. Espero, nessa sua visita a Academia Mineira de Letras, conseguir um exemplar " A Nuvem" . Estarei presente para revê-lo
Um forte abraço

Sururu na Bahia

  • Enviar por email
  • Enviar por email
  • Enviar por email

Email que receberá a matéria:

05/02/2010 - Por Sebastião Nery

Novembro de 1959, vésperas da convenção nacional da UDN que ia escolher o candidato à presidência da República: Jânio Quadros ou Juracy Magalhães. Juracy, governador da Bahia, foi a São Paulo. De Salvador, fomos também três jornalistas: Juracy Costa, Virgílio de Sá e eu. Ficamos no hotel Jaraguá, onde Juracy também ficou.
Juracy Costa saiu e daí a pouco voltou eufórico da sede do diretório regional da UDN, onde ouviu violento bate-boca. Um grupo acusava Carlos Lacerda de estar apoiando Jânio porque este, quando governador, dera um empréstimo do “Banespa” à sua “Tribuna da Imprensa”.
Juracy Costa pegou umas folhas da velha empresa telegrafica Western, escreveu um cabograma urgente para o “Jornal da Bahia” e entregou à portaria para passar. Embaixo, assinou: “Abraços, Juracy.”


Juracy

 

No mesmo prédio do hotel, funcionava o “Estado de S. Paulo”, dos Mesquita, muito ligados a Carlos Lacerda e que calorosamente apoiavam Janio. No dia seguinte, o escândalo. “O Estadão” e a Tribuna da Imprensa” haviam interceptado o cabograma, publicaram e Lacerda respondeu violentamente, acusando Juracy Magalhães (foto), o governador, de ser o autor.
Antônio Carlos Magalhães, deputado da UDN e liderado de Juracy, apareceu cedo no hotel para apurar o que tinha havido, e pediu a Juracy Costa que fizesse uma carta à “Tribuna da Imprensa” explicando as coisas.
A oito mãos, redigimos a carta-desmentido: Antônio Carlos, Virgilio Sá, Juracy Costa e eu. Um portador especial levou imediatamente, em mãos, ao Rio, e entregou a Aluizio Alves, redator-chefe da “Tribuna”.
No dia seguinte a “Tribuna” publicou, o assunto pareceu encerrado.


Lacerda

Mas não estava. Dias depois, em 8 de novembro, houve a convenção da UDN no palácio Tiradentes, no Rio. Juracy Magalhães fez um discurso profético: “E Agora, José?”, perguntando à UDN o que iria fazer “quando Jânio metesse os pés pelas mãos”. De repente, entrou Lacerda como um furação: o gênio na frente e as mal-amadas atrás. Perto da mesa, Lacerda viu Juracy Costa, estendeu-lhe a mão :
- É você o Juracy, jornalista da Bahia?
- Sou, sim.
- Tenho o desprazer de apertar a mão do mais jovem mentiroso do país.
Juracy respondeu com um palavrão. Se Virgílio Sá, Nilson de Oliva César, o “Pixoxó” e eu não fossemos rápidos, os dois teriam se atracado.
Jânio e Lacerda derrotaram Juracy por 205 a 83 votos.

 

Escutas

Hoje, tudo mudou. Não se fazem mais brigas políticas como antigamente. As intrigas, equivocos e desmentidos já não se armam e desarmam através de cabogramas pela velha “Western” inglesa, nem de cartas aos jornais explicando o que realmente houve.


Agora é tudo na ilegalidade, na invasão de privacidade, na gravação de conversas particulares horas a fio, um dia sim e o outro também. Publicadas nos jornais ou retumbadas na televisão, as conversas viram processo e sentença, denuncia e definitiva condenação. Não é preciso mais haver verificação ou julgamento. Divulgou, virou verdade e ponto final.


O fulminado que trate de arranjar uma tecnologia mais moderna, pegar o inimigo na contramão e dar um tombo maior do que o que recebeu.

 

Geddel

 

Em Salvador, e já esta semana aqui no Rio, estourou um sururu de escutas telefônicas, reveladas pelo veterano e consagrado jornal “A Tarde”, sobre a disputa, nos bastidores, entre empresários de onibus e as duas mais poderosas empreiteiras do Estado, para execução e gestão de um projeto da Prefeitura de vias exclusivas de ônibus, no valor de 628 milhões de reais.
Os dois politicos visados são o prefeito de Salvador, João Henrique Carneiro, e o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, ambos do PMDB e aliados, e adversários do governador Jaques Wagner, do PT.

 

Jaques

O processo “Operação Expresso”, já volumoso, elefântico, com 1030 paginas de gravações de escutas telefônicas, foi executado pelo “Serviço de Inteligência” da secretaria de Segurança do Estado.
Por coincidência, Gedel Vieira Lima, apesar de ministro de Lula, é candidato a governador contra a reeleição do governador Jaques Wagner. Nisso o PT já fez escola : em cada eleição, estoura um punhado de “Operações”: “Mensalão”,“Sanguessugas”,“Dólar na Cueca”, Aloprados”.
Como dizia o ex-ministro da Justiça Fernando Lyra, a campanha na Bahia está ficando difícil mas muito interessante.

 

DILMA

Em Peçanha, no interior de Minas, o vereador Agenor Leal de Souza chamou seu companheiro de Câmara Municipal, Tibúrcio Alves Pereira, de beocio. Tibúrcio levantou-se solene :
- Nobre vereador Agenor Leal de Souza, se a palavra beocio for agradativa, muito obrigado a V. Excia. Mas, se for atacativa, beocio é a mãe de V. Excia.
No Maranhão, o senador Sarney disse que a ministra Dilma é “a cara do cara”. Dilma olhou bem para a cara de Lula, mais ainda para a de Sarney, e não gostou. Não se viu parecida com nenhum dos dois.
Até hoje não engoliu a definição. Dilma acha que foi “atacativa”.

 

O cabo aloprado


Era cabo do Palácio , quando Ademar era governador de São Paulo. Todo fim de mês, recebia um envelope fino, fechado, para entregar a um senhor gordo e estranho nos subúrbios da capital. E trazia de volta, mandado pelo senhor estranho e gordo, um pacote grande, fechado.


Um mês, dois meses, seis meses, todo dia 30, o cabo levando o envelope fino e trazendo o pacote grande. Morria de curiosidade, mas não tocava o dedo. Um dia, o cabo não se conteve. Discretamente, abriu pela ponta o pacote grande. Era dinheiro, muito dinheiro. Tudo nota de mil. Resistiu à tentação, entregou o pacote inteiro, intocado. No mês seguinte, deram-lhe de novo o envelope fino. Abriu. Era um cartão escrito à mão:


- “50 contos no bicho que der.”
O cabo não aguentou. Pegou uma caneta num botequim, emendou:
-“50 contos no bicho que der. Aliás, 55”.
Não lhe deram mais o envelope fino e o pacote grande.Foi demitido.

 

Mercadante

 

O senador Mercadante, outro cabo aloprado, fez campanha com equipe aloprada, não sabe como apareceram milhões desovados por seu chefe de campanha em um quarto de hotel e, no Senado, estarreceu o pais revogando uma renuncia irrevogável. No dia 28 de dezembro, ele, que se envaidece de seu mestrado de economia na Universidade de Campinas, escreveu patético artigo na “Folha de S. Paulo” dizendo que no inicio do governo Lula a Petrobrás valia apenas 14 bilhões de dólares (sic).
O cabo dois falou do que não sabe. Como venho de uma década, a de 50, que viu e ajudou a Petrobrás a nascer, consultei antigo companheiro daquelas lutas, meio seculo funcionario da empresa, testemunha ocular da historia, das pessoas que melhor conhece a Petrobrás no Brasil, professor Helio Duque, doutor em Ciências Econômicas pela UNESP (Universidade do Estado de São Paulo), com varios livros sobre a economia brasileira e deputado federal pelo MDB e PMDB do Paraná de 1978 a 1990.

 

PETROBRÁS

1. - Na Bahia, na década de 50, começou a era do petróleo no Brasil. Em cinco décadas, a Petrobrás investiu, só em produção e exploração, 124 bilhões de dólares. E outros tantos bilhões na sua logística de terminais e transporte com navios próprios na pioneira Frota Nacional de Petroleiros. Investimentos responsáveis por 11 refinarias e a usina de xisto no Paraná.

 

2. - Nas décadas de 60 e 70,além das refinarias de Mataripe na Bahia, Cubatão em São Paulo e Duque de Caxias no Rio, a Petrobrás construiu a Gabriel Passos em Minas, a Alberto Pasqualini no Rio Grande, a Presidente Vargas no Paraná e a fábrica de Asfalto no Ceará. Em 74, comprou as refinarias de Capuava e Paulínia em São Paulo e Manaus no Amazonas. A última por ela construída foi a Henrique Lage, em São Paulo, há 26 anos.

 
3-PETROQUIMICA

O braço petroquímico da Petrobrás vem desde 1967, com a Petroquímica, responsável pelas três centrais existentes no Brasil e que, no final da década de 90, participava acionariamente de 36 empresas coligadas e controladas, com um faturamento de 7 bilhões de dólares.


4. - A Petrobrás Distribuidora tem a maior rede de fornecimento de combustíveis e lubrificantes do pais, com uma receita bruta superior a 55 bilhões de reais. Do preço final da gasolina, 32% são do ICMs, 13% da Cide/Cofins, 14% dos distribuidores e revendedores, 9% do álcool anidro, ficando a empresa com 32%. A gasolina é cara pela alta taxa de impostos que incidem no preço da bomba: só 32% do preço final são da Petrobrás.

 

Gás

5. - Introduzindo o gás natural na matriz energética nacional, entre 1980 e 2004, a Petrobrás levou sua expansão a 1.790%. O investimento foi de 16 bilhões de dólares. O Plano Estratégico sempre teve por objetivo liderar o mercado de gás natural e derivados na América Latina.
As reservas são de 306 bilhões de metros cúbicos. E terão forte crescimento nos próximos anos, com o investimento em gasodutos desde 1978, e a descoberta da província de gás de Juruá, a 780 quilômetros de Manaus. Com a exploração em águas profundas, incorporou grandes reservas de gás, ante o crescente consumo de residencias e industrias.

 

PRE-SAL


6. - Os negócios do petróleo no Brasil correspondem a 10% do PIB (Produto Interno Bruto). Em 2008, o faturamento da Petrobrás foi de 234 bilhões de reais. E o seu valor de mercado era de 425 bilhões. A folha de pagamento dos funcionários foi de 8,2 bilhões. A Cosipa, a 42ª maior empresa brasileira, teve faturamento bruto de 8,1 bilhões. O lucro da Petrobrás foi de 22,8 bilhões e os investimentos, no ano, de 144 bilhões. Os impostos pagos ao governo atingiram 55,7 bilhões. Na exportação, gerou 28,5 bilhões, o dobro da Vale do Rio Doce, que teve 15,7 bilhões de reais.

7. - Há 12 anos a Petrobrás começou a pesquisar petróleo debaixo da camada de sal nas bacias de Campos, Espírito Santo e Santos, a 280 kms. da costa. Após grandes investimentos e desenvolvimento tecnológico de ponta comandado por seus técnicos, encontrou-se grande reserva a 7 mil metros. Estima-se em 50 bilhões de barris. A partir de 2015, e seguramente em 2020, sua exploração atingirá a maturidade. Os investimentos para o pré-sal serão acima de 600 bilhões de dólares. O retorno, com o barril a 80 dólares, será de 4 trilhões de dólares. Se for a 100 dólares, serão 5 trilhões. E o cabo, quer dizer, o senador aloprado não sabe nada disso.

 

 

Comentários

► comentar esta matéria

O pijama cor de rosa

  • Enviar por email
  • Enviar por email
  • Enviar por email

Email que receberá a matéria:

08/01/2010 - Por Sebastião Nery

RIO – Wladimir Toledo Piza era prefeito de São Paulo. Jânio, governador, estava uma noite em casa dele. Chegou a notícia de um grande incêndio. Toledo Piza levantou-se:
- Vamos lá, governador. Vou trocar de roupa, rápido.
- Não vou, não. Não gosto de incêndio. Me comove demais.
E saiu. O prefeito pôs um casaco, foi. Quando desceu do carro, no meio da multidão, viu outro carro chegando. Era Jânio, envolto num enorme e pesado capotão preto, os olhos arregalados, os cabelos desgrenhados:
- O que está havendo, senhor prefeito?
- Este incêndio, governador. Um incêndio horrível.
- Quando você soube?
- Agora, em casa.
- Eu também. Estava dormindo, despertaram-me, não tive nem tempo de tirar o pijama, calçar os sapatos. Enrolei-me neste sobretudo, consegui um táxi, para trazer minha solidariedade ao povo que sofre as dores do fogo, da fumaça, da morte.


Jânio

Jânio abriu o capote, estava com o pijama cor-de-rosa até os joelhos, canelas brancas de fora. E os pés enfiados em duas sandálias velhas. Como um fantasma inglês.
Toledo Piza não entendeu a conversa atravessada, olhou em volta. Jornalistas e fotógrafos já estavam de canetas e máquinas com Jânio.
Toledo Piza contou a história ao general Zerbini:
- Quem conhece o Jânio sou eu, general. Ele não respeita nem incêndio.
 

Angra

Ninguém queria que o governador do Rio, Sérgio Cabral, surgisse de repente de pijama cor de rosa ou de cueca na tragédia de Angra dos Reis. Mas ele estava alí ao lado, colado, junto, em Mangaratiba, em sua tão questionada e marcelamente filmada casa de praia, a menos de 50 quilometros da catástrofe. Não custava lembrar-se de que é o governador.
Pois lá não foi no primeiro dia. E em quase todo o segundo dia. Quando apareceu, o vice Pezão, o Corpo de Bombeiros e o prefeito Tuca Jordão já tinham tomado as primeiras, urgentes e inadiáveis providências.
E não foi só ele. O ministro Minc, do Meio Ambiente, também evaporou. Não sei se ainda estava na Dinamarca. Deve ter ficado como Sérgio Cabral: esperando a TV Globo chegar antes, para já entrar ao vivo.

 

Sérgio Cabral

Jânio era meio doido, mas sabia dos deveres do homem público. Tem que enfrentar as situações, sobretudo as catástrofes. Quanto mais inesperadas mais exigem sua presença. Não foi eleito apenas para ir a Paris, participar de convescotes em Nova York e secretariar Ricardo Teixeira.
Tudo bem que ele só queira fazer o que seu mestre Lula faz. Mas não precisa imitar no erro. Quando o avião da TAM explodiu em Congonhas, Lula, que vai a São Paulo semana sim a outra também, foi incapaz de ir lá. Insensibilidade não pode ser regra de governo.
É até chato ficar citando exemplos externos. Mas é só comparar com o comportamento do francês Sarcozy, do espanhol Sapatero, do inglês Brown, do português Sócrates e até do trêfego Berlusconi. Estejam onde estiverem, vão imediatamente ao local das tragédias. Lula continuou carregando na cabeça, para a praia da Bahia, seu isopor de uísque, gelo e cerveja, que o“Globo”sabujamente disse que era um isopor“de farofa”(sic).

 

Lula

 

Não quer dizer que os dirigentes lá de fora sejam virtuosos e os daqui não. A diferença é que lá existe uma coisa chamada imprensa, imprensa de verdade, aqui quase toda transformada, pela gazua propagandística do valente Franklin Martins, em boletins oficiais do palácio do Planalto.
Lá a imprensa está em cima, cobra dos governos, dos governantes e quando precisa denuncia. E a população também. Está sempre atenta e exigente. Infelizmente, nosso querido povo brasileiro é cada dia mais uma massa moluscada, alienada,“bigbrodeada”. Por isso os politicos deitam e rolam. E aquele gaúcho diz que continuará “se lixando”, porque, quando chegarem as eleições, vão continuar votando nele. E votarão mesmo.
É a certeza do governador Arruda, de Brasília : basta dar panetone.


Brizola

 

O absurdo do comportamento do governador do Rio não é apenas uma questão de displicência e insensibilidade. É muito mais grave. São atos de governo que revelam no mínimo acobertamentos espúrios. Todo mundo sabe que Angra dos Reis tem um permanente problema de riscos e perigos ambientais. Tem que ser tratada cada dia mais com severas medidas.
Pois há seis meses, em 19 de junho do ano passado, o governador baixou o decreto 41.921, absolutamente inconstitucional, “legislando para afrouxar as regras de proteção ambiental, para permitir construir mais e mais nos morros e encostas”, com apoio do ex-prefeito (8 anos) Luis Sérgio (PT), e do atual Tuca Jordão (PMDB), secretário e sobrinho de Luis Sérgio.
O deputado Alessandro Mollon (PT) conseguiu convocar audiência publica na Assembléia, em novembro, com Ministério Publico, entidades de defesa do meio ambiente, todos exigindo a retirada do decreto. Cabral não tomou conhecimento. Como dizia Brizola, nessa cuia tem batata.

 

ABC de Mangabeira

Não tinha carro. Aliás, não tinha nada. Nem casa tinha:
- “Sou contra a propriedade. Ela escraviza”.
No armário, três ternos. “E bastam. Só visto um de cada vez. Vou morrer imune à tentação da propriedade.”
E morreu. Passou a vida apenas com seu poderoso talento político.

 

Etelvino

Toda tarde, ao fim da sessão da Câmara, no palácio Tiradentes, Otavio Mangabeira pegava uma carona e ia para o hotel Glória. Naquele dia, já haviam ido embora todos os deputados. Saiu andando a pé, com os jornalistas Villas-Boas Correia e Heráclio Sales, em direção ao Largo da Carioca, para pegar o bonde. No caminho, o assunto era a candidatura de Etelvino Lins, lançada pela UDN, para tentar enfrentar Juscelino.
Villas-Boas achou que aquela caminhada longa, até o bonde, era demais para o velho e gordo Mangabeira. Começou a procurar um táxi. Mangabeira sorriu sarcástico:
- Meu filho, é mais fácil a gente encontrar aqui um eleitor do Etelvino que um táxi.
No dia seguinte, a piada foi publicada. Etelvino renunciou, a UDN lançou Juarez Távora. Que perdeu.


Paulo Segundo

Com meio século de ininterrupta vida publica (nasceu em 1886 e morreu em 1960, aos 74 anos), vereador de Salvador aos 22 anos, deputado federal aos 26, Mangabeira é um patrimônio cultural e político da Bahia.
Em novembro de 2010, a Bahia relembrará o cinqüentenário de sua morte. O engenheiro, pesquisador e historiador Paulo Segundo da Costa, com décadas de dedicação à vida pública baiana, leu toda a bibliografia sobre Otávio Mangabeira, foi buscar no “Centro de Memória da Bahia – Fundação Pedro Calmon” uma vasta documentação inédita e publicou “Octavio Mangabeira – Democrata Irredutivel”, mais do que uma biografia, um testemunho e um testamento, com textos jamais publicados.

Eisnhower

 

Entrou na lenda política nacional que Mangabeira teria beijado a mão do general Eisenhower, quando ele foi à Câmara, em 1946, logo depois do fim da Segunda Guerra Mundial. A verdade é bem outra. Escolhido para saudar Eisenhower, Mangabeira terminou assim seu discurso :
- “Quanto à saudação, protocolar, com que me honrastes, senhor presidente e senhores representantes, com a incumbencia de dirigir ao visitante, em nome de meu país, aqui presente pela representação nacional, direi, ao encerrar este discurso, que, se assim me fosse lícito, preferia fazê-lo por meio de uma simples reverência, mais eloquente que qualquer palavra: inclinando-me, respeitoso, diante do general Comandante-em-Chefe dos Exércitos que esmagaram a tirania e beijando, em silêncio, a mão que conduziu à vitória as forças da Liberdade”.
Bem diferente do que tanto tempo se disse.

ABC

O autor catou preciosidades de definição e humor, bem atuais:
1. - “Sou apenas um homem que não corteja a riqueza, não lisonja a força, não adula o poder”.
2. - “Na Bahia, o atraso é de tal ordem que quando o mundo se Acabar os baianos só saberão cinco dias depois”.
3. - “Pensem em um absurdo. Na Bahia já aconteceu”.
4. - “O baiano é capaz de gastar 100 para o outro não ganhar 10”.

CORRUPÇÃO

5. - “Amaldiçoada a corrupção, desgraçadamente a grande lepra da atualidade da República”.
6. - “Malditos os que corromperem, como os que se deixarem corromper!”
7. - “Amaldiçoada a improbidade; maldito seja o negocismo, o furto, em uma palavra, a roubalheira, que tanto vem avassalando o país!”
8. - “Malditos os que transigem, mercadejando, de qualquer maneira, com cargos públicos ou com os mandatos políticos”.

TIRANIA
9. - “Amaldiçoada a tirania, difícil dizer qual delas a mais grave, se a tirania política, se a tirania econômica!”
10 - “Malditos os que abusarem dos direitos e liberdades, seja em particular, dos cidadãos, seja do povo em geral; e o maior dos direitos do povo é o direito que tem de não morrer de fome, sobretudo quando sabe, e todos os dias lhe dizem, por meio de inquéritos, que seu dinheiro é roubado, que muita gente enriquece à custa do seu dinheiro!”
11. - “Amaldiçoada a iniqüidade, inclusive a pior de todas, que é a iniqüidade social!”

NAZISMO
12. - “Quando Deus criou os homens à sua semelhança, não foi para que uns pudessem tripudiar sobre os outros, ou para que coubesse a um o monopólio da prosperidade e a outros o monopólio da miséria!”
13. - “A 8 de maio de 1945, o nazismo vencido assinava a rendição incondicional. A cena passou-se em uma escola francesa de Reims. Essa casa era uma escola. Dessa escola saíram para os séculos grandes lições. Uma foi a que nos ensina que todo orgulho se abate”.

 

Comentários

► comentar esta matéria

1,2,

Goiânia

Discurso do Lula na inauguração da Barragem João Leite

João Neto e Frederico

Ouça o sucesso de João Neto e Frederico - Delegada

Publicidade

Av. Goias n° 636, Sala 501, Ed. Mercantil - Goiânia- Goiás  |  Fone: (62) 3945 6381 | Criação: BIG BRAIN

Mais opções de contato...