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Direitos autorais: Qual o futuro do download?

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26/01/2012 - Opinião e Notícia

Fechamento do Megaupload deixa piratas sem rumo e oferece à indústria cultural a oportunidade de reconquistar o público com novos modelos

 

“E agora, onde vou baixar minhas séries?” Eis o grito incessante repetido nos últimos dias pelos internautas desde que a rede Megaupload (site de armazenamento de arquivos para download e upload) foi fechada pelo FBI. A rede reivindicava ter mais de 50 milhões de visitantes por dia, todos eles subitamente privados de baixar seus filmes, séries, músicas e videogames. No momento, quem aproveita são os concorrentes (como o Hotfile e o Mediafire), que estão ameaçados das mesmas desventuras, já que oferecem um serviço idêntico. A longo prazo, o fim do Megaupload poderia obrigar os internautas a adaptar seus costumes, abandonando o princípio do “direct download”, frágil e ultracentralizado.  

 

No início dos anos 2000, era com o peer-to-peer (P2P) que se pirateava. O modelo, inventado pela Napster em 1999: um dispositivo que colocava em relação direta os internautas, que trocavam entre si, por fragmentos, os arquivos que desejavam. Depois da morte do Napster em 2001, o P2P fez sucesso com dispositivos como eMule e Kazaa, depois via sistema BitTorrent. Como era fácil de supervisionar, acabou sendo alvo de alguns países, como a França, que o proibiu. Mesmo assim, o P2P já estava em decadência, com os internautas migrando em massa para o site como o Megaupload, que graças ao sistema mais simples do download direto, viu seus acessos se multiplicarem.  

 

Hoje, os piratas estão sem abrigo e a indústria cultural dispõe de uma avenida para retomar a posse de seus melhores clientes. Estes internautas não se preocupam em pagar – milhões deles desembolsaram de 20 a 200 reais por uma conta Premium no MegaUpload – mas seria preciso uma alternativa legal para não perder em riqueza, qualidade e simplicidade. Em um artigo provocador publicado em junho, o site ReadWriteWeb chegou a propor aos distribuidores culturais de "recomprar” os sites de download direto para recuperar de uma tacada só o poder que tinham “no tempo da Fnac e da Virgin Megastore”, e que se concentrou em torno de alguns homens de negócios da estirpe de Kim Schmitz.  

 

A oportunidade também pode ser aproveitada pela classe política, através de um sistema de licença global que reabilitaria o download peer to peer. Um controle de trocas permitiria de redistribuir com precisão a contribuição financeira dos internautas aos criadores dos arquivos baixados.

 

Fonte: Libération

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